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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A importância da educação dos sentimentos



 
 “Sem os sentimentos não existe uma vontade tão grande que impulsione o próprio pensamento.” - Amaro


Emanamos o que sentimos
No post anterior, no qual foi abordado o livre-arbítrio, uma questão se impôs: O controle dos sentimentos. Como foi visto, tal questão está no cerne do livre-arbítrio e consequentemente no centro da evolução espiritual do ser humano.


A reencarnação, ao nos posicionar em relacionamento direto com pessoas de diferentes patamares de evolução espiritual, é exatamente o meio de se colocar em prática as lições que o Espírito deve aprender em sua eterna caminhada, sendo a educação dos sentimentos uma das mais importantes destas lições.


As paixões humanas são aspectos a serem observados e analisados, conquista a ser ainda domada e adquirida rumo ao progresso. São chamados de paixões os sentimentos relacionados ao apego e desequilíbrio, ao egoísmo e suas várias formas e é exatamente neste desequilíbrio que se pautam as provas, expiações e a necessidade de se aprender.



Além do egoísmo, quais outros sentimentos podemos inserir como sentimentos que levam, em algum momento, o Espírito a travar internamente algumas batalhas que necessitam ser superadas, entendidas e refletidas, significando lição aos encarnados? Vaidade, rancor e inveja são alguns exemplos de desequilíbrio dos sentimentos. Tais sentimentos cegam o Espírito, seja encarnado ou desencarnado, de tal forma que ele não consegue ver além de si, o que o leva a fazer um mau uso do livre-arbítrio reiteradamente, até apreender, no íntimo da alma, através das várias experiências vividas, que os sentimentos em desequilíbrio são os responsáveis pelo seu sofrimento bem como das pessoas que o rodeiam. Dessa forma, devemos refletir e vigiar nossos sentimentos e é através da educação moral é que os educamos.

 



A educação dos sentimentos é um importante palco de estudos e observações, pois significa um melhor uso do livre-arbítrio e das relações humanas. Em uma atividade de amparo em reuniões mediúnicas, para darmos um exemplo, veremos o egoísmo, a vaidade e a inveja em muitos dos quadros obsessivos – que mostram, exatamente, em vários casos, estes sentimentos desequilibrados, onde o assediador espiritual não consegue enxergar o outro e a si, por vezes crendo que é uma questão de enxergar apenas o outro, mas como estamos todos ligados não é só no outro, mas também em nós mesmos, muitas vezes, o local onde reside  a causa dos nossos sofrimentos. 


Uma pessoa egoísta não afeta apenas os outros, mas também a si mesma, assim como a inveja ou rancor não afetam apenas ao outro. Alguns acreditam que assim não é, os próprios obsessores creem que estão ferindo ao outro, ao exercerem influências, mas ferem a si mesmos. Todos os sentimentos, independente se bons ou ruins, afetam o outro.



 


Os sentimentos de gratidão e amor afetam de modo positivo; a humildade, benevolência e caridade, são todos sentimentos superiores e estão ligados uns aos os outros, ou seja, o amor não é apenas amar, mas ainda ser benevolente, caridoso, nutrir gratidão, enxergar o próximo de modo a respeitá-lo, respeitar igualmente a si mesmo e assim por diante.


A vaidade, por exemplo, sendo um sentimento em desequilíbrio, é quando o espírito, encarnado ou não, acredita que por si só basta, como se fosse detentor da verdade, seu ponto de vista está correto. Assim, se acha com a razão, sempre.

 
Quando surge no contexto religioso, a vaidade faz o indivíduo crer que a sua religião é a que está correta, superior as demais, ou ainda que seu trabalho num grupo nada seria sem sua participação, deseja atrair, assim, a  atenção acerca de si mesmo e busca posição de destaque; a vaidade também está presente no meio espírita, temos, assim, exemplos de  médiuns, grupos ou casas espirituais que crêem, motivados pela vaidade,  ter o domínio de informações e técnicas, algumas vezes estranhas até à doutrina; cobram atenção e dedicação e há exemplos em que se julgam dignos de pagamento pelos dons recebidos gratuitamente pela espiritualidade, inventando algum sofisma como aporte em seu favor.


Como contrário da vaidade temos a humildade; há quem compreenda que a humildade é um rebaixamento, quando na realidade todos estamos aprendendo, e isso significa ser humilde, compreender a situação de sermos aprendizes e de que, se somos dotados de algum bem, outros tantos ainda nos faltam e felizes os que podem ser útil e auxiliar, num cenário onde todos os indivíduos aprendem.

 

A terra não é um planeta onde chegamos para aprender? Então todos nós, em ambos os planos, estamos na condição de aprendizes, a humildade faz parte desta compreensão e não significa qualquer rebaixamento.


Todos iremos evoluir, de acordo com o que nós fizermos e aprendermos.

Recordemos que cada qual está num estado e com uma necessidade diferente. Algumas pessoas não creem na espiritualidade, mas no íntimo delas, em alguns momentos, se questionam quando se deparam com algumas situações que lhes acontece ou acontecem ao redor delas, e de pouco em pouco, estes questionamentos farão com que novas ideias germinem, porque é assim com tudo, não apenas com a espiritualidade, mas com tudo que necessitamos refletir e experienciar, para aprendermos até chegarmos ao ponto de não mais necessitarmos aprender.
 

A reflexão dos sentimentos permite que se conheça mais de si mesmo, mudando o estado mais rudimentar e de pura reação diante dos quadros da vida para o de atuantes conscientes; as pessoas mudam, por exemplo, quando percebem que um sentimento viciado faz mal a ela mesma, ao seu ambiente, as pessoas próximas. Ao se conscientizar que seus sentimentos em desequilíbrio ferem e não significa qualquer alteração da realidade que por vezes deseja fugir ou se abster.

Sentimentos inferiores desgovernados que estão imbuídos de inveja, do desejo de posse, do egoísmo, geram aflições que ao se tornarem conscientes podem ser alterados; muitas vezes nós impedimos nossa própria felicidade ao observarmos apenas o que nos falta, o que desejamos ou idealizamos, seja no contexto que for, político, religioso, amoroso, de ofício.


 

A sede de querer mais, de ter direitos sobre as demais pessoas de seu convívio, carregadas de imediatismo e individualismo são caminhos desequilibrados, carentes e distantes da verdadeira paz íntima que todos nós deveríamos buscar e ofertar a nós mesmos e aos que amamos, sem controles, impositivos, culpas, pesadas cargas e tributos, mas com leveza e responsabilidade.


O perdão vem muitas vezes disso, as vezes um indivíduo nutre raiva ou ódio porque se sentiu ferido ou traído, mas chegará o tempo em que compreenderá que através do perdão ele mesmo se liberta e concede a outra pessoa a liberdade, libertando a si mesmo também.


Mas vivemos nos dois planos, até que aprendamos, em conflitos com estas energias e sentimentos a nos perturbar, quando inferiores, até que haja compreensão das paixões que geram padrões vibracionais viciados e, então, superado o desequilíbrio que nos rouba a paz íntima, elevaremos os pensamentos.


Útil nos é observar os próprios sentimentos igualmente, uma vez que as observações destes nos são lições, pois não se trata apenas de sentir, mas refletir sobre o que sentimos. Assim é que muitas vezes são trocadas as posições nas reencarnações, como, por exemplo, aquele que obedece passa a mandar e vice-versa ou o que aprisionou passa a ser o aprisionado; isso mexe com os sentimentos e tudo aquilo que sentimos e dessa forma, acabamos refletindo de uma melhor e aprendemos assim a lição, embora alguns demorem maior tempo; mas chegará o dia em que todos compreenderão.



Sentimentos desequilibrados e irrefletidos provocam doenças, tanto físicas quanto psíquicas. São capazes de transformar ambientes e, num maior grau, fazer perder a própria reencarnação porque pode significar uma oportunidade não aproveitada.


No tocante aos sentimentos, importa, para a finalização do assunto, que todo pensamento carregado de sentimentos geram sintonias, sejam felizes ou infelizes. O que sentimos potencializa o que pensamos, assim um pensamento tocado de amor ou gratidão repercutirá com maior ênfase, até que chegue a seu destinatário; temos como exemplo disso as preces em favor de alguém que amamos, encarnado ou desencarnado, e sintonizados pelo pensamento, com sentimento mais elevado de amor através do elo que mantemos, as preces são fonte de esperança, refazimento, carinho e benevolência atuante.


O contrário também se mostra real. Quando embuidos de sentimentos inferiores, acabamos por gerar uma sintonia entre nós e o nosso desafeto, uma densa energia, além de significar brecha para possíveis quadros obsessivos, como nos demonstra a doutrina espírita. Outro sentimento que devemos nos atentar é o de culpa. Um sentimento nocivo uma vez que, como veneno, entorpece os atos que podem nos fazer seguir adiante. Há sempre oportunidade para nos melhorarmos e seguirmos em frente, desde que este seja o nosso real desejo; a culpa sentida ou imputada congela os atos, como que os tornassem impotentes, quando, na verdade, devemos estar conscientes de nossas obrigações e oportunidades, recordando que a ninguém falta o auxílio e amor divino.

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