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quinta-feira, 31 de julho de 2014

As Manifestações de Pessoas que Acabam de Morrer e as Manifestações de Moribundos

Olá amigos do blog Luzes do Bem ! Antes de mais um post de continuidade concernente aos estudos da obra Nosso Lar, façamos uma reflexão acerca de um assunto muito interessante, que diz respeito às manifestações de pessoas que acabam de morrer e de moribundos.

Em todas as culturas do mundo vemos relatos de pessoas que afirmam ter vistos outras, na maioria das vezes seus familiares, que no momento encontravam-se distantes e não teriam a menor possibilidade, pelos meios habituais, de estar naquele momento em determinado lugar. Essas pessoas relatam ter visto familiares e o mais interessante e intrigante: logo após essa aparição, pouco tempo depois descobrem que tais familiares vistos haviam morrido há pouco tempo ou mesmo na hora exata em que foram vistos pelas testemunhas.

Vários pesquisadores compilaram milhares de casos deste tipo, algumas das quais são clássicas e que merecem o estudo por parte dos que se interessam em estudar os aspectos da Alma Humana no limiar da morte ou depois desta. Nomes de grande destaque nessas pesquisas são: Camille Flammarion, Friedrich Myers, Edmund Gurney e Ernesto Bozzano.

No clássico "Phantasms of The Living"(1886), de Myers, Gurney e Podmore, há uma lista de aproximadamente 700 casos do tipo.

São casos em que fica evidente que, mesmo após a morte, muitas vezes no momento desta, seres humanos conseguem, por conta da grande afeição para com outros, realizar uma "última" despedida ou dar um "até logo" para seus entes amados.

Casos como esses são mais frequentes do que imaginamos, e não nos surpreenderíamos se nossos leitores nos relatassem alguns destes consigo ou com pessoas próximas.

Se pudéssemos traçar um roteiro linear de estudos sobre Vida Após a Morte, certamente seria interessante começar a estudar por esse casos, uma vez que é explícita a sugestão de vida após a morte neles, sugestão essa que se confirma aos fazermos um estudo integrado de toda a Fenomenologia Espírita ou Psíquica.

Camille Flammarion
Camille Flammarion em seu livro "O Desconhecido e os Problemas Psíquicos"(1900), lança mão de mais algumas centenas de casos e os analisa em seu conjunto, chegando a conclusão de que são casos verídicos e que a simples hipótese de alucinação não dá conta de explicar todos os casos, por uma questão de probabilidade.

Em 25 de Março de 1899, Flammarion escreve aos assinantes de uma famosa revista francesa, que na época contava com seus 80.000 assinantes fazendo o seguinte pedido:

"Estes misteriosos casos de aparição de moribundos ou de 
mortos, de pressentimentos nitidamente definidos, são tão 
importantes como interessantes para o nosso conhecimento 
da natureza do ser humano, corpo e alma, e por isso que nos 
levou a empreender esta série de estudos e de pesquisas 
especiais, que escapam seguramente ao quadro ordinário da 
Ciência e da Literatura. 



Camille Flammarion
Poderíamos ir, desde hoje, um pouco mais longe, 
precisamente com o simpático concurso de todos os leitores 
dos Anais, se eles a isso quisessem prestar-se nesta 
circunstancia talvez única.

Trata-se sobretudo, no caso, de uma demonstração 
estatística, de tomarmos conhecimento da proporção real 
desses fenômenos psíquicos: teríamos, aqui mesmo, essa 
demonstração em oito dias, se os nossos leitores, todos os 
nossos leitores, tivessem a, extrema gentileza de se 
prestarem a isso . Ser-lhes-ia possível enviar-nos muito

simplesmente uma carta postal, respondendo sim ou não às 
duas questões seguintes 

l.-Tem-vos acontecido, em qualquer época, 
experimentar, estando acordado, a nítida impressão de ver 
um ser humano, ou de ouvi-lo, ou de ser tocado por ele, sem 
que pudésseis relacionar essa impressão a alguma coisa 
conhecida ! 

2. - Coincidiu essa impressão com alguma morte? 
No caso em que jamais tenha experimentado um fato 
dessa ordem, escrever simplesmente não e assinar. (Simples 
iniciais, se assim o preferir.) 

No caso em que tenha observado um fato desse gênero, 
pede-se responder as duas questões por sim ou por não e 
acrescentar algumas palavras indicando o gênero de 
fenômeno constatado, e, se coincidir ele com uma morte, o 
intervalo de tempo que tenha podido separar a morte do 
fenômeno observado. 

No caso em que fatos desse gênero tenham sido 
experimentados em sonho, seria bom deixá-lo assinalados, se 
houve coincidência de morte. 

Enfim, no caso em que, sem o ter observado por si mesmo, se conheça um fato certo e autentico, seria igualmente muito interessante relatá-lo abreviadamente . 

Este inquérito terá um grande valor científico, se todos os nossos leitores se dispuseram a enviar-nos sua resposta. Apresentamos-lhes antecipadamente os nossos melhores agradecimentos. 

Não há nisso nenhuma questão de interesse pessoal; trata-se, pelo contrário, de um grave e curioso assunto de interesse geral. "

E mais na frente, nos diz o resultado do seu pedido:

"Recebi 4.280 respostas, compostas de 2.456 não e de 1.824 sim. Entre estas últimas, havia 1.758 cartas mais ou menos detalhadas, grande número das quais eram insuficientes como documentos a discutir. Delas, porém, eu pude reservar 786 importantes que foram classificadas, transcritas quanto aos fatos essenciais e resumidas. O que impressiona em todos esses relatos, é a lealdade, a consciência, a franqueza, a delicadeza dos narradores que assumem o compromisso de somente dizerem o que sabem e como o sabem, sem nada ajuntar nem diminuir. Nisso, cada 
um se constitui servo da verdade. 

Essas 786 cartas transcritas, classificadas e numeradas, referiam 1.130 fatos diferentes. As observações expostas nessas cartas apresentam ao nosso exame diversas classes de fenômenos, que podem ser  classificados como segue: 

  • Manifestações e aparições de moribundos. 
  • Manifestações e aparições de vivos não doentes. 
  • Manifestações e aparições de mortos. 
  • Visão de fatos passados ao longe. 
  • Sonhos premonitórios. 
  • Previsão do futuro. 
  • Sonhos reveladores de mortos. 
  • Encontros pressentidos. Pressentimentos realizados. 
  • Duplos de vivos. 
  • Movimentos de objetos sem causa aparente. 
  • Transmissão de pensamentos à distância. 
  • Impressões recebidas por animais. 
  • Chamados ouvidos a grandes distâncias. 
  • Portas fechadas a ferrolho, que se abrem por si mesmas . 
  • Casas mal-assombradas. 
  • Experiências de Espiritismo."

Colocamos agora alguns desses relatos para os amigos do blog, lembrando que recomendamos a leitura dos livros acima citados para aqueles que querem se aprofundar mais no assunto, que por si só é fascinante. Todos os relatos abaixo foram retirados do livro "O Desconhecido e os Problemas 
Psíquicos":




***

"XIX. - A 4 de Dezembro de 1884, às 3 horas e meia da manhã, estando eu perfeitamente desperto, acabava de levantar-me. Tive a visão nítida da aparição de meu irmão, Joseph Bonnet, 2° tenente de spahis, 2.9 Regimento, na guarnição de Batna, província de Constantine (Argélia) . Nessa época ele estava em manobras, e nós não sabíamos precisamente onde se encontrava. Meu irmão tomou-me a  cabeça. entre as mãos; senti um arrepio de frio e ele me disse muito distintamente - Adeus, Ângela, estou morto. Profundamente emocionada e transtornada, acordei imediatamente meu marido, dizendo-lhe - José morreu; ele acaba de me dizer. Como esse dia, 4 de Dezembro, era o dia do nascimento de meu irmão (completava ele seus trinta e três anos) e como tivéssemos falado na véspera a propósito desse aniversário, meu marido assegurou-me que se tratava de uma conseqüência de meus pensamentos e acoimou-me mesmo de visionaria e de exaltada. 
Durante toda essa noite de quinta-feira estive muito agoniada. As 9 da noite, recebemos um telegrama; antes de abri-lo, já eu sabia o que continha. Meu irmão falecera em Benchela (Argélia) , às 3 horas da manhã ."
 (Carta 9.) 
ANGELA ESPERON, 
 nascida Bonnet

***

"C. - Minha mãe, Senhora Molitor, de Arlon, encarrega-me de vos transmitir sua resposta. Em Novembro de 1891, certa manhã, pelas 5 horas, estava minha mãe, acordada, na cama. Pela porta aberta do quarto viu entrar seu irmão, tenente, em serviço no matadouro militar de Mons (Hainaut) . Estava em pequeno uniforme e tal qual o tinha visto alguns anos antes, por ocasião de uma licença que passara em sua casa. Ele a contemplou, sorrindo-lhe, depois saiu, fazendo com  a mão um gesto afetuoso. Às 11 horas da manhã do mesmo dia, o telegrama anunciando a morte desse irmão chegava à casa de minha mãe."
(Carta 430.) 
C. MOLITOR 
Empregado do Cadastro em Arion (Bélgica)

***

"B. - Um jovem pastor contou-me o fato seguinte: Perdi meu pai em minha tenra infância; meu irmão e eu fomos inteiramente educados pela melhor, mais doce e mais firme das mães, na austera cidade de Bolonha. Sem mostrar decidida preferência por qualquer de seus filhos, ela cercava, 
entretanto, de cuidados muito particulares o mais jovem deles, rapazinho delicado, muito sensível e que herdara o temperamento inglês de sua mãe : firme e doce. A idade de 20 anos, me fazia meus estudos em Bolonha, ao passo que meu irmão entrava para a Escola Militar de Modena. Seria impossível descrever o que ele sofria longe da Casa materna...Uma noite, antes de se deitar, queixou-se minha mãe de uma leve indisposição, mostrando-se de certa forma  inquieta com relação ao filho ausente. Mas, boa, resignada e doce, antes de tudo, retirou-se ela calmamente, como de costume. Eram contíguos os nossos dormitórios. Passei uma parte da noite ocupado em um trabalho difícil e, somente pela manhã, consegui adormecer. De súbito, fui despertado por um ruído de vozes e, abrindo os olhos, fiquei surpreendido de ver em meu quarto meu próprio irmão, pálido, o semblante desfeito. - Mamãe - o murmurou - mamãe, como vai ela? Dez minutos depois de meia-noite, eu a vi distintamente na cabeceira da minha cama, em Modena; ela sorria-me,  com 
uma das mãos mostrava-me o céu, com a outra, abençoava-me. Depois desapareceu. Mas o que te digo é que mamãe morreu! Corri ao quarto venerado de nossa mãe : ela estava morta, de fato, com um sorriso nos lábios... Mais tarde nos afirmou o médico que ela devia ter cessado de viver cerca de meia-noite." 
(Carta 443.) 
E. ASINELLI, Genova.

***

"LIX - Meu amigo Ferdinando S . , com perto de 16 anos de idade, fazia em Paris seus estudos musicais, soba direção do compositor Hipólito Moupon. Um dia, em seu quarto de estudante, achando-se perfeitamente desperto, aconteceu-lhe de súbito ter a visão clara de seu pai, absolutamente como se estivesse ele aí. Durou apenas um instante essa visão. Longe estava então o meu amigo de pensar na morte de seu pai. Este, entretanto, que tinha a profissão de afinador  em Tours, havia sido vitima de terrível acidente. Ao fazer subir um piano por uma escada, caiu-lhe o instrumento sobre o corpo, ocasionando-lhe a morte. Ora, segundo a informação recebida, pôde Ferdinando constatar que o momento da aparição devia coincidir com o da morte de seu pai." 

(Carta 156.) 
E. LEP 
Praça da Catedral, 9, Tours 

***

"B - Tive ocasião de encontrar-me, em Maio de 1896, em casa de um amigo comum, com um Senhor Contamine, farmacêutico em Commentry (Allier), que em minha presença narrou o fato seguinte, de que ele garantia a absoluta autenticidade e que não podia contar sem uma visível emoção: Achando-se um dia sentado em seu quarto, diante de um armário de espelho, ocupado em calçar as botinas, percebeu muito nitidamente, por esse espelho, que a porta detrás se abrira, vendo um de seus amigos entrar no quarto; estava em trajes de baile e vestido com todo esmero. O Senhor Contamine voltou-se para estender as mãos ao seu amigo. Qual não foi a sua estupefação, verificando que não havia ninguém no seu quarto! Precipita-se imediatamente para fora do quarto e interpela o criado que estava precisamente na escada: - Acabais de encontrar o Sr . X . , que saiu do meu quarto; onde está ele ? - Não vi absolutamente ninguém, afirmo-vos. - Ora essa! ele saiu do meu quarto neste instante! - Estou absolutamente certo de que ninguém entrou nem saiu. O Senhor Contamine, muito intrigado e muito impressionado, teve, também ele, o pressentimento de uma desgraça. Procurou logo se informar e veio a saber que o seu amigo, tendo cometido um homicídio por imprudência,e querendo furtar-se ao processo judiciário desse acidente, suicidara a hora exata em que se verificou a aparição e com o próprio trajo com que fora visto refletido no espelho. "

(Carta 134.) 
BOULNOIS 
Professor em Pont-Saint-Maxence.

***

"LXX. - Uma dama de minhas relações, bem equilibrada, séria e sensata, afirmou-me, sob juramento, a veracidade do  fato seguinte: órfã, tornara-se noiva de um estrangeiro, M. S., que ela amava muito. Não o pode obter o consentimento de sua família paia esse casamento. Esperaram muito tempo; de pois, seja por prudência, seja por despeito, ela desposou um homem idoso que havia igualmente solicitado sua  mão. (Omito explicações inúteis). Ela foi sempre fiel, nunca mais tornou a ver seu noivo que retornou para seus pais. Entretanto, pensava sem cesses nele. Passados alguns anos, entrando, certo dia, em seu quarto, julgou vê-lo estendido no chão, como morto e todo ensangüentado. Ela soltou um grito de pavor, ao mesmo tempo em que se aproximava, constatando que não era vitima de uma Ilusão. Ao cabo de um instante, tudo desapareceu, e seu marido, que acorrera ao seu grito, nada viu. Ela supôs que M. S. devia ter sido vítima de um acidente, mas não pode informar-se, por não conhecer sua residência. Após alguns dias, encontrou-se em presença de um correspondente de M . S . , o qual lhe informou que seu amigo, desiludido da vida, suicidara-se. Confrontando a data da aparição com a da morte, chegou ela a certeza da coincidência." 

(Carta 244.) 
M . GAUTHIEB, Lião . 

***

Esses relatos representam uma amostra do que podemos encontrar ao ler os livros indicados acima. Casos como esses não são incomuns, cabendo a nós observar o que ocorre ao nosso redor para podermos constatá-los. Deixamos aqui, para download, a versão eletrônica do livro "O Desconhecido e os Problemas Psíquicos"