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terça-feira, 1 de abril de 2014

A Alegoria da Caverna de Platão, a descoberta do Mundo Espiritual e o Misoneísmo Humano



Amigos, antes de inciarem a leitura do post abaixo, vejam o vídeo ilustrativo acima, pois o texto se baseará todo em cima dele.

A alegoria da caverna, também conhecida como parábola da caverna, mito da caverna ou prisioneiros da caverna, foi escrito pelo filósofo grego Platão e encontra-se na obra intitulada A República (Livro VII). Trata-se da exemplificação de como podemos nos libertar da condição de escuridão[ignorância] que nos aprisiona através da luz da verdade. [Wikipédia, Alegoria da Caverna]. 

Platão acreditava firmemente no uso da razão, da lógica e da argumentação para se chegar a verdade e à sabedoria. Aceitava a existência de planos e dimensões da realidade além do mundo físico, sensível e acreditava que o mundo natural só pode ser compreendido em referência a outros e "superiores" planos da realidade.Interessava-se pelo estudo da Alma e encarava o corpo físico apenas como um veiculo desta, não é de surpreender, pois, que estivesse interessado no destino da Alma após a morte física. Alguns de seus diálogos, principalmente: Fédon, Górgias e A República, tratam desse assunto. [Vida Depois da Vida, Raymond Moody Jr].

Após a morte, foi um dos Espíritos que a assinaram a psicografia abaixo que foi  anexada aos Prolegômenos de O Livro dos Espíritos:

“Ocupa-te, cheio de zelo e perseverança, do trabalho que empreendeste com o nosso concurso, pois esse trabalho é nosso. Nele pusemos as bases de um novo edifício que se eleva e que um dia há de reunir todos os homens num mesmo sentimento de amor e caridade. Mas, antes de o divulgares, revê-lo-emos juntos, a fim de lhe verificarmos todas as minúcias. Estaremos contigo sempre que o pedires, para te ajudarmos nos teus trabalhos, porquanto esta é apenas uma parte da missão que te está confiada e que já um de nós te revelou. Entre os ensinos que te são dados, alguns há que deves guardar para ti somente, até nova ordem. Quando chegar o momento de os publicares, nós to diremos. En-quanto esperas, medita sobre eles, a fim de estares pronto quando te dissermos. Porás no cabeçalho do livro a cepa que te desenha-mos , porque é o emblema do trabalho do Criador. Aí se acham reunidos todos os princípios materiais que melhor podem representar o corpo e o espírito. O corpo é a cepa; o espírito é o licor; a alma ou espírito ligado à matéria é
o bago. O homem quintessencia o espírito pelo trabalho e tu sabes que só mediante o trabalho do corpo o Espírito adquire conhecimentos. Não te deixes desanimar pela crítica. Encontrarás contraditores encarniçados, sobretudo entre os que têm interesse nos abusos. Encontrá-los-ás mesmo entre os Espíritos, por isso que os que ainda não estão completamente desmaterializados procuram freqüentemente semear a dú-vida por malícia ou ignorância. Prossegue sempre. Crê em Deus e caminha com confiança: aqui estaremos para te amparar e vem próximo o tempo em que a Verdade brilhará de todos os lados. A vaidade de certos homens, que julgam saber tudo e tudo querem explicar a seu modo, dará nascimento a opiniões dissidentes. Mas, todos os que tiverem em vista o grande princípio de Jesus se confundirão num só sentimento: o do amor do bem e se unirão por um laço fraterno, que prenderá o mundo inteiro. Estes deixarão de lado as miseráveis questões de palavras, para só se ocuparem com o que é essencial. E a doutrina será sempre a mesma, quanto ao fundo, para todos os que receberem comunicações de Espíritos superiores. Com a perseverança é que chegarás a colher os frutos de teus trabalhos. O prazer que experimentarás, vendo a doutrina propagar-se e bem compreendida, será uma re-compensa, cujo valor integral conhecerás, talvez mais no futuro do que no presente. Não te inquietes, pois, com os espinhos e as pedras que os incrédulos ou os maus acumularão no teu caminho. Conserva a confiança: com ela chegarás ao fim e merecerás ser sempre ajudado. Lembra-te de que os Bons Espíritos só dispensam assistência aos que servem a Deus com humildade e desinteresse e que repudiam a todo aquele que busca na senda do Céu um degrau para conquistar as coisas da Terra; que se afastam do orgulhoso e do ambicioso. O orgulho e a ambição serão sempre uma barreira erguida entre o homem e Deus. São um véu lançado sobre as claridades celestes,e Deus não pode servir-se do cego para fazer perceptível a luz.” 

São João Evangelista, Santo Agostinho, São Vicente de
Paulo, São Luís, O Espírito de Verdade, Sócrates, Platão,
Fénelon, Franklin, Swedenborg, etc., etc.






Dessa forma, podemos observar a ligação estreita entre Platão e as questões relacionadas ao Mundo Espiritual. Na Alegoria da Caverna temos o retrato mais perfeito da maior parcela da humanidade, ainda completamente ignorante acerca das coisas do Plano Espiritual, "presa e acorrentada no fundo da caverna da ignorância", no comodismo da digestão de suas concepções existenciais de mundo adquiridas ao longo da vida, nas suas mais diversas interações sociais e através das quais norteiam todos os seus interesses. E por isso, "permanecem amarrados, de forma a não poder olhar para outras coisas em volta, vendo apenas as sombras da realidade, ainda oculta aos seus olhos, e esse é todo o mundo que conhecem, nada mais existindo portanto". Eis que de tempos em tempos surgem seres humanos que de uma forma ou de outra abalam os alicerces da ordem estabelecida, "são homens que são retirados da caverna da ignorância através do conhecimento novo que adquiriam e que obviamente correm, para contar a seus companheiros que permanecem na ignorância, a grande novidade que descobriram  e que está acima de tudo que eles podiam imaginar" , são homens como: Jesus, Giordano Bruno, Galileu, Allan Kardec, William Crookes, Ernesto Bozzano, Charles Richet, entre outros, porém logo descobrem que não conseguem ser ouvidos por seus companheiros, "suas vozes são ecos distorcidos que incomodam os ouvidos, a luz que trazem é muito forte e ofusca a ignorância, machuca os interesses pessoais, eles não conseguem apreender o conhecimento novo, vindo de fora da caverna, para eles ISSO NÃO EXISTE, ISSO NÃO PODE EXISTIR", e assim, tais homens são agredidos por seus companheiros, são perseguidos, anatematizados, queimados nas fogueiras da inquisição ou nas fogueiras mais atuais, as da difamação, ou quem sabe podem ser pregados na cruz ! Mas o que justificaria esse comportamento tão grosseiro de seus companheiros ? Claro, em um nível mais elevado de compreensão podemos ver que trata-se de puro Egoísmo, medo de ter seus interesses contrariados, seus interesses imediatos são mais importantes e mais interessantes do que a Verdade. Ernesto Bozzano,em Cinco Casos Excepcionais de Identificação de Espíritos, nos fala a respeito de tais comportamentos, nesse caso por parte de  alguns(e não todos!)  indivíduos  que fazem parte da classe científica:

Ernesto Bozzano
"...Basta considerar que há pesquisadores que conhecem, ou conheceram, a maior parte dos casos relatados e que, entretanto, permanecem negadores irredutíveis ou eternos céticos, entregues à dúvida. Isto é incontestável  e depende de uma lei psicológica de alcance universal, lei normal e benéfica porque regula a evolução das grandes idéias. Ela impede que estas, impondo-se muito rapidamente na sociedade humana, possam causar desordens profundas ou cataclismos  econômicos e morais, muito perigosos no conjunto das instituições sociais da época atual. Esta lei consiste no fato de que tanto a mentalidade de um indivíduo como a de uma coletividade humana, quando se  desenvolveram longamente em um meio de ensinos religiosos, científicos e filosóficos orientados em certa direção, não estão mais em situação de assimilar as novas verdades que se opõem ao que se acha solidamente organizado em suas circunvoluções cerebrais.Nestas condições, apenas as mentalidades de primeira ordem e aqueles que, na coletividade, não tiveram ocasião de experimentar pressões demasiadamente fortes e prolongadas neste sentido são capazes de se desembaraçar do misoneísmo* que os domina."

Dessa forma, é importante que nós continuemos sempre com a mente aberta para a aquisição de novas ideias, desde que essas sejam lógicas, racionais e representem uma evolução do conhecimento antigo, sabendo domar nosso Ego, para que possamos sempre assimilar A VERDADE, seja ela qual for, mesmo que vá contra nossos próprios interesses ou concepções preconcebidas, a custa de não sofremos mais tarde. E que não esqueçamos que as negações não tornam o mundo fora da caverna(o mundo espiritual ) menos real.

Misoneísmo segundo o dicionário priberam da língua portuguesa:
http://www.priberam.pt/dlpo/misone%C3%ADsmo