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sábado, 1 de fevereiro de 2014

As tênues fronteiras entre a vida e a morte





Cientistas do Projeto Aware já não falam em “experiências de quase morte”, preferindo a expressão “experiências depois da morte”, convencidos de que algumas pessoas submetidas a processos de ressuscitação de fato morreram e foram novamente trazidas à vida física.


Depois do sucesso em todo o mundo das obras do médico e pesquisador americano Raymond Moody Jr., que, na década de 70 do século passado, popularizou o conceito de “experiências de quase morte”, o Projeto Aware (sigla da expressão AWAreness during REsuscitation – consciência durante a ressuscitação), iniciado na Universidade de Southampton, na Inglaterra, em 2008, oferece novas bases para o fascinante estudo da consciência e dos indícios de sua sobrevivência após a morte.

O projeto foi concebido e é desenvolvido pela Horizon Research Foundation, liderado pelo Dr. Sam Parnia (foto). Conta com a colaboração de outros cientistas como Stephen Holgate, Peter Fenwick e Robert Peveler. Trata-se de um conjunto de investigações sobre estados de consciência durante a morte clínica e experiências fora do corpo. Envolve pesquisas colhidas em hospitais europeus e americanos e utiliza equipamentos avançados para analisar as reações do cérebro dos pacientes pesquisados.


Sam Parnia, MD

“Apagando a morte” – uma obra
que lança luz sobre o tema

Decorridos cinco anos desde o início do trabalho, o Dr. Sam lançou o livro “Erasing Death - The Science That Is Rewriting the Boundaries Between Life and Death” – “Apagando a Morte – A ciência que está reescrevendo as fronteiras entre a vida e a morte”, onde defende a ideia de que questões antes pertinentes à religião e à filosofia agora precisam ser abordadas e explicadas pela ciência. Para ele, uma das últimas questões que a ciência tem definitivamente de investigar é o que acontece com a consciência após a morte. 

Por suas experiências, diz já poder afirmar que a consciência subsiste, mesmo que seja por algumas horas, depois da completa cessação da vida física.


Parnia fez sua formação no Guy e St Thomas, em Londres, mas, hoje, é chefe de cuidados intensivos do Hospital Stony Brook University, em Nova York. Ali, graças a técnicas que incluem o resfriamento do cérebro para retardar a deterioração neuronal e manter sua oxigenação, um paciente vítima de parada cardíaca, mesmo que considerado “clinicamente morto”, terá 33% de chance de ser trazido de volta. O índice dos demais hospitais americanos é de 16%. Aplicando os métodos lá empregados, os Estados Unidos, segundo Parnia, poderiam salvar cerca de 40 mil vidas ao ano e a Inglaterra em torno de 10 mil. A especialização do Dr. Parnia terminou por convencê-lo da falsidade de que a morte leva a um lugar do qual nenhum viajante retorna. Para ele, o processo acontece em momentos em que, de fato, a morte já ocorreu, não sendo correta a expressão “fenômeno de quase morte”. Além de salvar inúmeras vidas, o Projeto Aware, no qual está integrado o trabalho de Parnia e seus colegas, vem oferecendo elementos que comprovariam a sobrevivência da consciência após a morte física, apoiados em depoimentos de pacientes, logo após a ressuscitação. Os cientistas envolvidos no Projeto Aware defendem ser mais eficiente a entrevista logo após a reanimação, já que a tendência é o esquecimento depois de alguns dias. Por isso, também, Parnia supõe que muito mais pessoas tiveram esse tipo de experiências, mas elas terminaram sendo eliminadas pela memória: “há uma ruptura dos circuitos da memória, pelo mesmo mecanismo que deixamos de recordar nossos sonhos”.

Fonte: 
http://ccepa-opiniao.blogspot.com.br/2013/09/opiniao-ano-xx-n-211-setembro-2013.html