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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Sugestão Mental e Influências Espirituais


“O espírito humano lida com a força mental, tanto quanto maneja a eletricidade, com a diferença, porém, de que se já aprende a gastar a segunda, no transformismo incessante da Terra, mal conhece a existência da primeira, que nos preside a todos os atos da vida”-André Luiz


O tema já foi discutido ao longo dos anos, objeto de inúmeros estudos e amplamente abordado pelo Espiritismo, bem como pela Psicologia por Freud, Jung, até os tempos atuais. Também é vasto! Tanto os tipos como os estudos, situações em que acontecem, motivos... neste post trataremos de um deles.

Digo trataremos pois é um post feito em conjunto, mesclando textos do querido Alexandre Filho (www.almateca.tk) e meus. Boa leitura!

A sugestão mental pode ser definida como a ação exercida pela vontade por um indivíduo A, o operador, sobre um indivíduo B, o sujet. Todos nós somos, mais ou menos sensíveis à esse tipo de influência, que pode ser exercida em diferentes estados de consciência, desde o estado normal, passando pelo sono, e chegando aos estados alterados de consciência, como os transes mediúnicos e hipnóticos.

Camille Flammarion, em A Morte e o seu Mistério, Capítulo V, diz:
"Entre as diversas manifestações do nosso ser psíquico, uma das mais notáveis é, seguramente, a ação da vontade humana sem o concurso da palavra ou de algum sinal, e a distância.
A vontade é uma faculdade essencialmente imaterial, diferente do que se entende geralmente por propriedades da “matéria”.
Podeis atuar sobre o cérebro de outra pessoa pela tensão de vosso espírito. Num teatro, numa igreja, a alguns metros atrás dela, podereis obrigá-la a voltar-se sem que suspeite da vossa ação, sem conhecer a vossa presença. A experiência é muito comum e, excluindo os casos provenientes do acaso, ainda fica um número respeitável de averiguações certas. Acontecerá o mesmo pelo que respeita a uma pessoa desconhecida."

O ilustre cientista continua mais a frente:

"Têm-se escrito obras completas sobre a sugestão mental, e os exemplos que a comprovam são inúmeros. Nas experiências realizadas por Charcot, na Salpêtrière, e pelo Dr. Luys, na Charité, eu mesmo observei, outrora, muitos. Um dos casos mais notáveis é talvez ainda o das experiências de Pierre Janet, no Havre, numa excelente camponesa, mãe de família e não nevropata. O que ele lhe ordenava, a muitos quilômetros de distância, recebia-o ela mentalmente, obedecendo-lhe com uma precisão absoluta e sem que disso pudesse ser avisada por outra qualquer maneira."

É uma área que merece todo um estudo sério e pautado em princípios éticos, pois demonstra como nós, Espíritos, somos mais vulneráveis do que imaginamos ser. Somos todos Espíritos, porém alguns encontram-se no estado encarnado, ou seja "vivo" e outros no estado desencarnado, ou seja "mortos", dessa forma, a Sugestão Mental é, portanto, uma ação entre Espíritos e assim podemos analisar
as seguintes possibilidades, envolvendo o processo de sugestão mental nos quadros obsessivos:

I)    Encarnado para Encarnado;
II)   Desencarnado para Encarnado;
III)  Encarnado para Desencarnado;
IV) Desencarnado para Desencarnado;


I)    Encarnado para Encarnado

Nesse caso, temos duas pessoas encarnadas, e uma agindo por Sugestão Mental em outra, que a obedece. Vejamos um experimento feito pelo Dr. Ochorowicz, presente em sua obra "A Sugestão Mental":
“Uma noite, terminado o seu ataque (incluindo a fase do delírio), a doente adormece tranqüilamente. Acordando de súbito e vendo-nos sempre perto dela, a mim e à sua amiga, pede-nos que partamos, que nos não cansemos inutilmente por ela. Tanto insistiu nisso que, para lhe evitarmos uma crise nervosa, saímos. Descia a escada vagarosamente (ela morava no 3º andar) e parei algumas vezes, aplicando o ouvido, turbado por mau pressentimento (dias antes havia-se ferido bastante). Já no pátio, parei ainda uma vez, pensando se devia partir ou não. De repente, abriu-se a janela com fragor e vi que o corpo da doente se debruçava sobre o peitoril, num movimento rápido. Precipitei-me para o lugar onde ela podia cair e maquinalmente, sem ligar ao fato a menor importância, concentrei a minha vontade com o fim de me opor à queda. Era uma insensatez; imitava com isto os jogadores de bilhar que, prevendo que vai falhar a carambola, tentam deter a bola com gestos ou palavras.
Entretanto, a doente, já inclinada para o vácuo, parou e recuou lentamente, em movimentos bruscos.
A mesma manobra repetiu-se cinco vezes seguidas, até que a doente, fatigada, ficou imóvel, as costas apoiadas contra a janela sempre aberta.
Não me podia ver; eu estava na sombra; era noite. Nesse momento, a Srta. X., amiga da enferma, acudiu a prendeu-a pelos braços. Ouvi-as debaterem-se e subi depressa as escadas para socorrê-las. A doente tinha um acesso de loucura. Não nos reconheceu, tomando-nos por ladrões. Não consegui retirá-la da janela senão fazendo-lhe a pressão dos ovários que a forçou a cair de joelhos. Procurou morder-me em diversos momentos, e só depois de muito lutar, vinguei conduzi-la ao leito. Por fim adormeci-a.
Caída em sonambulismo, as suas primeiras palavras foram estas:
– Obrigada e perdão!
Contou-me então que queria a todo transe atirar-se pela janela, mas que sempre que isso tentava se sentia detida por uma força que partia de baixo.
– Como assim?
– Não sei...
– Suspeitava da minha presença?
- Não. Era justamente porque o julgava longe que eu queria realizar o meu intento. Parecia-me entretanto, por momentos, que o senhor estava a meu lado ou atrás de mim, e que se opunha a que eu caísse.”
Ochorowicz relatou ao todo 14 sessões levadas a efeito de 2 de Dezembro de 1885 a 5 de Fevereiro de 1886, durante as quais ele fez um número enorme de experiências de sugestão mental, com grande êxito e com a mesma srª. M.
Ochorowicz teve a oportunidade de registar outros casos semelhantes ocorridos com diversas pacientes tratadas por ele em sua clínica.
                                                                                                 *
Muitos outros casos análogos são registrados na literatura por diferentes autores, esse é apenas um caso ilustrativo para que possamos ter uma ideia do processo da Sugestão Mental. Muito mais pode ser encontrado nas obras supracitadas.

Passemos agora a análise do segundo caso:

II)   Desencarnado para Encarnado

Allan Kardec, na pergunta 459 de "O Livro dos Espíritos" pergunta aos imortais:

459. Influem os Espíritos em nossos pensamentos e em nossos atos?

“Muito mais do que imaginais. Influem a tal ponto, que, de ordinário, são eles que vos dirigem.”

A resposta acima parece chocante, a uma primeira vista, se não conhecemos a Sugestão Mental. Passa uma ideia de que nada mais seríamos que marionetes nas mãos dos Espíritos desencarnados,mas não é bem assim e mais a frente abordaremos esse aspecto. Para ilustrar esse caso, nada melhor do que um trecho, em áudio, do livro psicografado por Chico Xavier, do autor André Luiz, Sexo e Destino,  onde 2 Espíritos, por meio de Sugestão Mental, induzem um Encarnado a fazer uso de Álcool: https://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=KZFLUyP3vFA


III) Encarnado para Desencarnado

Por parte dos que ainda estão na carne, redundam em fixação mental naqueles que desencarnaram, retendo-os às reminiscências da vida terrestre. Essas emissões mentais constantes, de dor, revolta, remorso e desequilíbrio terminam por imantar o recém-desencarnado aos que ficaram na Terra, não lhes permitindo alcançar o equilíbrio de que carecem para enfrentar a nova situação.
Também a inconformação e o desespero, advindos da perda de um ente querido, podem transformar-se em obsessão que irá afligi-lo e atormentá-lo.

Pelo ímã do pensamento doentio e descontrolado, o homem provoca sobre si a contaminação fluídica; no livro “Nos Domínios da Mediunidade”, André Luiz se refere a um caso interessante de um homem desencarnado e uma mulher encarnada que vivem em regime de escravidão mútua, nutrindo-se da emanação um do outro. Ela busca ajuda na sessão do trabalho desobsessivo realizado por um centro espírita e, com o concurso de entidades abnegadas, consegue o afastamento momentâneo do espírito obsessor. Bastou, porém, que o espírito fosse retirado para que ela o fosse procurar, reclamando sua presença. Há muitos casos em que o encarnado julga querer o reajustamento, porém, no íntimo, alimenta-se dos fluidos doentios do companheiro desencarnado e se apega a ele instintivamente.

Em Obreiros da Vida Eterna, André Luiz descreve cenas de vampirismo em uma enfermaria de hospital. "Entidades inferiores, retidas pelos próprios enfermos, em grande viciação da mente, postavam-se em leitos diversos, inflingindo-lhes padecimentos atrozes, sugando-lhes vampirescamente preciosas forças, bem como atormentando-os e perseguindo-os", afirma. E confessa que os quadros lhe traziam grande mal-estar.


Há casos em que ocorre a possessão, onde temos um grau mais avançado de atuação do espírito obsessor, constrangendo de forma quase absoluta a ação do obsediado. Kardec a compreendeu como "uma substituição, posto que parcial, de um espírito errante a um encarnado". Como se trata de um grau mais avançado, as patologias orgânicas estão sempre presentes.

Da mesma maneira como existem infecções orgânicas, acontecem também as fluídicas, resultantes do desequilíbrio mental.

IV - Desencarnado para Desencarnado

Este tipo de obsessão ocorre em condições idênticas aos outros. No mundo espiritual os seres se ligam em função das afinidades, desejos e paixões, e a partir daí temos um grande número de espíritos que são dominados e escravizados por outros espíritos. 

Reflexão sobre a Sugestão
Por mais que abordemos o tema, ficam sempre algumas dúvidas, principalmente a de como evitar a influência nociva, seja espiritual ou não. Vale lembrar que a sugestão acontece de várias formas, importante refletirmos sobre elas, desvinculando-nos.

“As pessoas não percebem que vivem quase inteiramente sob o efeito de sugestão. Desde o nosso nascimento somos rodeados por aqueles que sugerem certas ideias como verdadeiras, e seguimos as ideias sugeridas. Há em qualquer lugar muito pouco pensamento original, e isso é especialmente verdadeiro naqueles níveis que mais atraem a atenção do grande público, isto é, na política, na religião, e na ciência. Seja qual for o sistema de pensamento que nos é apresentado, nós o adotamos. Seguimos a sugestão dada, sem fazer uma tentativa de compreender a base daquilo que é sugerido. Os alicerces sobre os quais repousa a sugestão feita são aceitos automaticamente, mesmo nas coisas mais importantes da vida” - registro estenográfico de uma palestra de Robert Crosbie. “O Poder da Sugestão” (“The Power of Suggestion”).

Nossa mente consciente é a “sentinela” protegendo nosso subconsciente das impressões falsas.Assim sendo podemos conceituar que nossos corpos astrais, mentais e causais tornam-se o templo de nossa verdadeira “psique” e que devemos tornar-nos o vigilante desse nosso próprio templo.

Viver é observar nossos pensamentos e afinidades que estabelecemos, assim como existe a sugestão mental nociva, ainda há a que estabelecemos de modo sadio, seja através de preces, ações, pensamentos; lembrando que os espíritos sempre nos influenciam e o tipo de companhia espiritual ,muitas vezes, depende da nossa vigilância.


“.. Dezoito companheiros encarnados demoravam-se em rigorosa concentração_do_pensamento, elevado a objetivos altos e puros. Era belo sentir-lhes a vibração particular. Cada qual emitia raios luminosos, muito diferentes entre si, na intensidade e na cor. Esses raios confundiam-se à distância aproximada de sessenta centímetros dos corpos_físicos e estabeleciam uma corrente de força, bastante diversa das energias da esfera espiritual. Essa corrente não se limitava ao círculo movimentado. Em certo ponto, despejava elementos_vitais, à maneira de fonte miraculosa, com origem nos corações e nos cérebros_humanos que aí se reuniam. As energias dos encarnados casavam-se aos fluidos  vigorosos dos trabalhadores do_plano_espiritual, congregados em vasto número, formando precioso armazém de benefícios para os infelizes, extremamente apegados ainda às sensações fisiológicas.Semelhantes forças mentais não são ilusórias, como pode parecer ao raciocínio terrestre, menos esclarecido quanto às reservas infinitas de possibilidades além da matéria mais grosseira – André Luiz


Mais uma vez, como nos mostra a doutrina, somos nós que nos vinculamos com aqueles que têm as mesmas tendências que cultivamos. Não é tarefa fácil, mas possível.

As orações, os pensamentos, o Evangelho no Lar são barreiras protetoras pois equilibram o que anda desequilibrado e claro, a mudança, pois de nada adianta uma oração feita e logo em seguida seguirmos com a mesma raiva, preguiça, maledicência, vícios, pensamentos negativos, etc.

Alexandre, agradeço por termos debatido o tema e realizado este post juntos!

Fontes:
Livros:
-  Ochorowicz, J. - A Sugestão Mental;

- Robert Crosbie. “O Poder da Sugestão”;
- Obreiros da Vida Eterna, de André Luiz, por Chico Xavier;
-“Nos Domínios da Mediunidade”, de André Luiz,por Chico Xavier;
-"O Livro dos Espíritos", Allan Kardec;
- “A Morte e o seu Mistério”, de Camille Flammarion

Sites: www.almateca.tk;guia.heu.nom.br