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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Meditação e Espiritismo



Os efeitos benéficos da meditação em variados casos comprovados pela ciência traz à tona a questão do tema em relação ao Espiritismo.No Espiritismo temos a meditação como parte de um processo de reflexão íntima, diferente do conceito oriental de relaxamento e equilíbrio.

Em minha opinião a meditação não pode ser ignorada, como comprovam os estudos abaixo.

Ressalto que a reflexão tem um papel relevante, sem dúvida, particularmente prefiro a reflexão por acreditar ser mais objetiva (parte-se de um determinado ponto) ao invés da meditação, porém penso que podem ambas serem utilizadas.

Os resultados mais impressionantes vêm dos estudos que se propõem a investigar seus efeitos no cérebro. Um exemplo é o trabalho realizado na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e publicado na revista científica “NeuroImage”. Após compararem o cérebro de 22 meditadores com o de 22 pessoas que nunca meditaram, eles descobriram que os praticantes possuem algumas estruturas cerebrais maiores do que as dos não praticantes. Especificamente, hipocampo, tálamo e córtex orbitofrontal. As duas primeiras estão envolvidas no processamento das emoções. E a terceira região, no raciocínio. “Sabemos que as pessoas que meditam têm uma habilidade singular para cultivar emoções positivas”, disse à ISTOÉ Eileen Luders, do Laboratório de Neuroimagem da universidade. “As diferenças observadas na anatomia cerebral desses indivíduos nos deram uma pista da razão desse fenômeno.”
Na publicação “Psychological Science”, há outro trabalho interessante. Pesquisadores da Universidade George Mason constataram que a prática proporciona uma melhora significativa na memória visual. Normalmente, uma imagem é armazenada integralmente no cérebro por pouquíssimo tempo. Mas o estudo verificou que monges, habituados a meditar todos os dias, conseguem guardá-las – com riqueza de detalhes – até 30 minutos depois de praticar. “Isso significa que a meditação melhora muito este tipo de memória, mesmo após um certo período”, disse à ISTOÉ Maria Kozhenikov, autora do experimento. Essa habilidade transforma a técnica em um potencial instrumento para complementar o tratamento de doenças que prejudiquem a memória, como o mal de Alzheimer.
No Instituto do Cérebro do Hospital Albert Einstein, aqui no Brasil, pela técnica de ressonância magnética foram fotografados os cérebros de 100 voluntários, antes e depois de um retiro de uma semana para práticas diárias. “Na análise de uma primeira amostra, observamos que as áreas ligadas à atenção, como o córtex pré-frontal e o cíngulo anterior, ficaram mais ativadas após o treinamento”, afirma a bióloga Elisa Kozasa, responsável pela pesquisa.
A palavra meditação é vulgarmente entendida como a prática da reflexão sobre questões relevantes na vida. Neste sentido, é comum na literatura espírita o convite à meditação (reflexão) sobre nossas atitudes, sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Na questão 919, de O Livro dos Espíritos, Santo Agostinho nos convida a refletir diariamente sobre nossas atitudes, na busca do auto-conhecimento e da perfeição moral.
À época de Kardec, a meditação, enquanto prática de desenvolvimento mental pelos princípios da atenção plena, auxiliada por uma série de técnicas geralmente advindas das culturas orientais, era pouco conhecida no ocidente e estava no ciclo restrito das escolas esotéricas, mesclada com seus princípios místicos. Devido ao caráter de clareza e objetividade do Espiritismo, pelo fato da Doutrina encontrar-se em processo de formação e ao caráter místico que ainda era atribuído a esta prática, não vamos encontrar, nos primórdios da doutrina espírita, ênfase na prática da meditação, mas sim na reflexão sobre questões existenciais ou ainda a “concentração” para fins de prática e desenvolvimento mediúnicos.
No que se refere à concentração para a prática mediúnica, não está clara a relação entre esta e a meditação. No capítulo XVII, de O Livro dos Médiuns, que trata da formação dos médiuns, fala-se da postura do médium, a evocação dos espíritos, a vontade como elemento fundamental, deixando clara a importância do caráter magnético do fenômeno mediúnico, onde o espírito comunicante estabelece uma relação fluídica com o médium. Não foi pesquisado, por exemplo, como a prática da meditação, dentro dos princípios e finalidades expostos na matéria, pode repercutir sobre a qualidade da prática mediúnica, mas, a julgar pelos resultados apresentados na reportagem, resultados já amplamente divulgados pela mídia, os efeitos só poderão ser positivos.
Nos dias atuais, assim como foi afirmado na matéria, a meditação não precisa estar necessariamente vinculada a um aspecto místico ou esotérico. Além disso, são comprovados cientificamente os resultados positivos da prática da meditação. Despojada de seu caráter místico e comprovada cientificamente a sua eficácia no equilíbrio das emoções e das faculdades psíquicas, não há nenhum obstáculo ou incompatibilidade com o Espiritismo. Tudo o que serve para o desenvolvimento do potencial humano e que esteja demonstrado pela ciência, deve ser endossado pelo Espiritismo, conforme dizia o próprio Allan Kardec.
Já é comum em muitas obras espíritas atuais, em seminários e congressos, referências às técnicas de meditação como um auxiliar terapêutico e complementar nos tratamentos espirituais. – Fonte:espiritismo.net