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quinta-feira, 30 de maio de 2013

A Dor das Perdas e A Necessidade de Seguir Após o Luto


Há situações que são extremamente difíceis, embora todos saibamos que as perdas são inevitáveis na jornada da vida, isso nem sempre significa que haja compreensão ou aceitação.

Perder é deixar de ter, seja um ente querido, uma situação que se altera de uma hora para outra, um relacionamento que finda ou uma frustração onde imaginávamos existir algo que se demonstra depois irreal e inexistente. Perder ainda é conseguir lidar, visto que a vida segue, independente da dor que aflige.

Diante da situação alguns processos são faceados, como o da negação, depressão, desespero ou questionamento e, na verdade, são meios que encontramos na tentativa de primeiro entender até o momento de aceitar o fato.

Guarde que Deus ampara sempre, e que nada acontece sem Sua permissão. Permita-se buscar a compreensão assim como auxílio psicológico, todos precisamos de socorro e não há nada de errado nisso. Não se enclausure na dor, expresse-a. Não tema o porvir, pois a maioria das coisas são passageiras e o tempo ainda transformará a dor e será possível seguir.

A perda trazida pela morte também está neste contexto; vou compartilhar um caso, para melhor compreensão, visto que o aceite da separação se mostra mais difícil quando se trata de uma morte "não esperada" ou ainda violenta, por mais difícil que seja, compreenda-a como normal, pois cada qual se separa de nós de um jeito diferente para seguir mais adiante; a causa da morte se dá quando cumprimos nosso papel, exceto quando provocada.Atendo aqui um pedido e espero conseguir através do post.

Há casos em que a morte parece uma penitência, mas é apenas uma sensação, o desencarne obedece a lei da vida, em todos os casos; somente para elucidar, coloco um exemplo, seja qual for a perda podemos nos reerguer, não se vitimize ou se culpe pelas perdas quando envolvem a morte, ainda que doa, lembre-se disso.



Um jovem rapaz de 25 anos faleceu no exato momento em que sua mãe estava viajando, fora do país; antes da viagem por algumas desavenças pequenas que acontecem entre pais e filhos ela optou pela viagem para descansar e se refazer, achou que o tempo seria bom conselheiro para ela e para o filho.Comunicou sua decisão ao filho e pediu para que ele refletisse pois na volta poderiam conversar e colocar um ponto final na questão, mais tranquilamente.

Não ouve, claro, oportunidade para a conversa e ela segue até hoje com uma culpa imensa, exatos 11 anos já se passaram e o efeito tanto da perda quanto da culpa lhe doeu tanto na alma que infelizmente comprometeu sua saúde física, psicológica e no caso, também, espiritual.

Alguns anos após o desencarne a chamei pois recebera um pedido do filho que lhe desejava aspirar melhora, tanto quanto pudesse (os laços permanecem e assim como quem fica deseja o bem, aquele que parte anseia o mesmo); comuniquei a ela toda a mensagem passada pelo filho e eu mesma lhe pedi que não mantivesse a culpa e buscasse auxílio para sua grande dor, uma ajuda médica onde ela pudesse expressar o que mantinha guardado para sí.A recuperação da dor nunca deve ser evitada.

A dor, embora inevitável, pode ser tratada sempre, insisto nisto, é preciso passar pelo enlutamento, pelo questionamento, como também pelo refazimento, tenha fé, qualquer fé, mas tente permanecer firme pois  a vida deve seguir seu curso - a morte não existe; em relação a fé, tenho a minha muito pautada na minha reflexão de vida,que significou uma escolha; sugiro que abrace a fé que melhor lhe atenda.

No caso narrado, houve uma permissão de Deus em confortar, mas guarde que o conforto vem de muitas formas,sempre, isso é um fato! Na maioria das vezes se dá através dos entes queridos que nos auxiliam ou amigos, aceite a ajuda deles, ainda que acredite que não sabem o que você sente no íntimo.Como há o livre arbítrio, por maior amparo que se dê, a escolha está sempre em nossas mãos, deseje-a para atravessar esta fase, é a melhor escolha.

Entenda que a tentativa de mudar o imutável só pode trazer mais dores, não percorram este caminho, não podemos trazer ninguém de volta à vida, o que podemos fazer é rezar desejando luz ao que partiu antes de nós, assim como seguir, pois aquele que se desliga antes de nós da existência é porque já cumpriu o seu papel, tudo o que ele(a) significou ficará em nossos corações, os laços não se desfazem, o amor independe do tempo/espaço e ele(a) sentirá aonde quer que esteja tudo o que se passa em seu coração. Mas foi preciso ir, e é preciso aqui, seguir; não nos cabe mudar os fatos, mas nos recuperarmos, busque ajuda sim,  sempre que preciso ou ofereça ajuda sempre que necessário.

Mensagem psicografada por Chico Xavier sobre a perda:


Ante os que partiram, precedendo-te na Grande Mudança, não permitas que o desespero te ensombre o coração.
Eles não morreram.Estão vivos.
Compartilham-te as aflições, quando te lastimas sem consolo. Inquietam-se com sua rendição aos desafios da angústia quando te afastas da confiança em Deus.
Eles sabem igualmente quanto dói a separação.
Conhecem o pranto da despedida e te recordam as mãos trementes no adeus, conservando na acústica do espírito as palavras que pronunciaste, quando não mais conseguiram responder as interpelações que articulaste no auge da amargura. Não admitas estejam eles indiferentes ao teu caminho ou à tua dor.
Eles percebem quanto te custa a readaptação ao mundo e à existência terrestre sem eles e quase sempre se transformam em cirineus de ternura incessante, amparando-te o trabalho de renovação ou enxugando-te as lágrimas quando tateais a lousa ou lhes enfeitas a memória perguntando porque.
Pensa neles com a saudade convertida em oração.
As tua preces de amor representam acordes de esperança e devotamento, despertando-os para visões mais altas na vida. Quando puderes, realiza por eles as tarefas em que estimariam prosseguir e tê-los-ás contigo por infatigáveis zeladores de teus dias.
Se muitos deles são teu refúgio e inspiração nas atividades a que te prendes no mundo, para muitos outros deles és o apoio e o incentivo para a elevação que se lhes faz necessária.
Quando te disponhas a buscar os entes queridos domiciliados no Mais Além, não te detenhas na terra que lhes resguarda as últimas relíquias da experiência no plano material...
Contempla os céus em que mundos inumeráveis nos falam da união sem adeus e ouvirás a voz deles no próprio coração, a dizer-te que não caminharam na direção da noite, mas sim ao encontro de Novo Despertar.

Emmanuel - Francisco Cândido Xavier