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domingo, 28 de abril de 2013

PESQUISAS DO ESPIRITISMO REALIZADAS NO PASSADO DESDE MESAS GIRANTES



Em vários posts já publicados inseri os estudos espíritas realizados na época atual (vide posts ou marcações), mas as pesquisas não se iniciaram na atualidade, como sabemos, o Espiritismo tem mais de 150 anos, assim desde muito os estudos buscaram compreender o espiritismo e os fenômenos espirituais ao longo dos anos.

O texto abaixo narra um pouco da história do Espiritismo, boa leitura!
Fonte: espirito.org.br


As Mesas Girantes

Segundo Wantuil[4], em fins de 1850 os próprios espíritos sugeriram, através das batidas em código, que os experimentadores se colocassem ao redor de uma mesa, apoiando as mãos sobre ela e, ao ser proferida a letra do alfabeto adequada, a mesa levantaria um dos pés e daria uma pancada, formando-se letra-a-letra as mensagens que os espíritos queriam transmitir. Estava estabelecido assim o fenômeno das mesas girantes, que logo se popularizou nos EUA e, atravessando o atlântico, tornou-se o brinquedo noturno da moda nos salões Europeus.

Deve-se esclarecer que o fenômeno das mesas girantes era conhecido nas antiguidades grega[81] e romana[82], embora tivessem caido no esquecimento posteriormente.

Os fenômenos espíritas, de tão paradoxais, fizeram que a maioria dos cientistas que os estudaram se concentrassem na comprovação da existência, ao invés de procurarem descobrir os mecanismos naturais que os produziam.
Em meio a um clima de enorme desconfiança e, segundo Conan Doyle[1], sem qualquer conhecimento dos perigos e desgastes a que estavam se submetendo, Kate e Margareth Fox, as médiuns através das quais foi iniciada a onda de fenômenos espíritas, fizeram, a conselho das inteligências que se comunicavam através delas, demonstrações públicas nos EUA durante mais de vinte anos. Em 1871 Kate foi a Londres, sendo aí submetida a testes por, dentre outros, Sir William Crookes, o famoso químico descobridor do tálio e do tubo de raios catódicos. Há relatos de que nessa época chegou a produzir materializações luminosas. Margareth e Leah (a irmã mais velha) juntaram-se a ela pouco tempo depois.

Tantas foram as pressões psicológicas sobre Margareth e Kate que suas faculdades entraram em declínio por causa de alcoolismo, e elas morreram no início da década de 1890. Digno de nota é o livro de Leah Fox, que revelou-se a única das três a compreender as importantes implicações filosóficas e morais, para a humanidade, dos fenômenos com que lidavam[133].

As Mesas Girantes nos EUA

Em janeiro de 1851 o famoso jurista John Worth Edmonds, ex-senador, ex-juiz do Supremo Tribunal de New York, materialista confesso, declara-se convencido da realidade do espírito[116], após haver presenciado os mais diversos fenômenos de efeitos físicos e de efeitos intelectuais produzidos sob o mais rigoroso controle. O anúncio de sua conversão abalou profundamente a opinião pública norte-americana[4,113].

Aproximadamente à mesma época o ex-governador do Winscosin e senador N. P. Tallmadge, dentre outros homens célebres dos EUA, também declarou publicamente sua adesão ao espiritualismo, em função das provas experimentais da sobrevivência obtidas[4,113].
Em 1852 os professores W. Bryant, B. K. Bliss, W. Edwards, e David A. Wells, da Universidade de Harvard, após escrupulosos experimentos, publicaram um manifesto em apoio à autenticidade do fenômeno de levitação de mesas[4,130].


O primeiro presidente da Universidade de Cleveland, Rev. Mahan[134], sustentou a tese do fluido magnético para explicar os novos fenômenos, e o Dr. Robert Hare - professor de química da Universidade de Pensilvânia, fez uma série de experiências com fenômenos espíritas, iniciando com os métodos e aparelhos relatados por Faraday em seu relatório à Sociedade Dialética de Londres, e em seguida desenvolvendo seus próprios métodos e aparelhos, com o que se convenceu da realidade dos fenômenos em questão. Em 1853 publicou um livro relatando suas experiências e conclusões[135], as quais apontavam a existência dos espíritos como causa dos tais fenômenos. Por isso foi praticamente obrigado a renunciar à sua cátedra na Universidade de Pensilvânia, e sofreu perseguições da Associação Científica Americana e de professores da Universidade de Harvard[1].

Além dos principais jornais norte-americanos, uma interessante fonte de consulta sobre fatos da época é o periódico " Spiritual Telegraph"[115], primeiro jornal espiritista do mundo.
Tamanho interesse tinham despertado os fenômenos espíritas nos EUA, que alguns médiuns atravessaram o Atlântico e levaram as mesas girantes para a Inglaterra, onde logo o fenômeno era assunto de todas as rodas.

As Mesas Girantes na Inglaterra

Os primeiros médiuns americanos desembarcaram na Inglaterra em 1852, levando para lá os novos fenômenos[1,4], que a essa altura incluíam, além das batidas, as materializações, levitações, escrita direta, voz direta, psicografia, psicofonia, vidência, clarividência e outros. Foram feitas pesquisas pelo célebre matemático e filósofo Prof. De Morgan[136], que concluiu pela veracidade dos fenômenos. Faraday realizou pesquisas sobre as mesas girantes[137], concluindo que tudo se devia a movimentos inconscientes dos médiuns, embora houvesse casos registrados de movimentos das mesas sem contato dos médiuns, conforme réplica do marquês de Mirville[119] a Faraday. O assunto não mereceu maiores envolvimentos da ciência até 1869, quando foi nomeada uma comissão pela Sociedade Dialética de Londres.

As Mesas Girantes na Alemanha

O Dr. Kerner, que já havia estudado a Vidente de Prevorst, publicou um livro sobre as mesas girantes[103], e uma comissão de renomados professores da Universidade de Heidelberg, composta por Karl Mittermaier, Henrich Zoepfl, Robert von Mohl, Renaud, Vangerow, Carl von Eschemayer, Joseph Ennemoser, o Dr. Justinus Kerner, e o Dr. Loewe também pesquisou o fenômeno das mesas girantes, publicando um relatório a respeito[4,117,118]. As experiências com o fenômeno das mesas girantes na Alemanha logo ganharam espaço na imprensa francesa, estimulando a divulgação do fenômeno naquele país[4].

As Mesas Girantes na França

Segundo Wantuil[4], o marquês de Mirville[118], literato Eugène Nus[120], e o conde de Gasparin[137] historiam a chegada do fenômeno das mesas girantes à França, em 1853. Mirville defendia a realidade dos fenômenos e exigia o pronunciamento da ciência sobre eles. 

O químico Michel Chevrel, em resposta a Mirville, em nome da Academia de Ciências de Paris, publicou um livro[121] em que explicava os fenômenos da vara divinatória, do pêndulo e das mesas girantes como frutos ou da charlatanice ou de movimentos inconscientes dos operadores, no que foi imediatamente refutado por Mirville[119], por Gasparin[137], e pelo Dr. Louis Figuier[122], os quais apontaram no trabalho de Chevrel, além de graves falhas metodológicas e de argumentação, a omissão de fatos comprovados. Era opinião corrente na época que as mesas girantes poderiam ser explicadas pelo magnetismo animal, mas o magnetismo animal não era bem visto pelas academias científicas, estabelecendo-se calorosa contenda entre os magnetistas e seus adversários. O fenômeno das mesas girantes veio confundir ainda mais os debates, pois suscitava a interpretação de que por trás dele haveria a existência de espíritos, o que chocava tanto as mentes que tinham os espíritos como crendices populares quanto as que os tinham como coisas demoníacas.

Alguns periódicos franceses da época são também importantes fontes bibliográficas sobre os fenômenos do magnetismo animal, sonambulismo, e espiritismo[124,125,126,127,128,129].

Surgimento do Espiritismo

O educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, mais conhecido pelo pseudônimo de Allan Kardec, iniciou estudos dos fenômenos das mesas girantes, escrita automática e outros, aplicando-lhes o método científico. O primeiro fruto dessas investigações foi " O Livro dos Espíritos", em que a interpretação dos fenômenos observados o leva à conclusão da existência e comunicação dos espíritos. 

Devem-se a ele a criação das palavras " médium", " mediunidade", e " espiritismo", dentre outras. Nota-se em sua obra uma grande influência da idéia do magnetismo animal. Fundou em 1858 e dirigiu a " Revue Spirite", que foi importante fórum de debates sobre a fenomenologia, filosofia e religião espíritas. O mais antigo tratado específico sobre mediunidade foi lançado pelo mesmo autor em 1861 sob o título de " O Livro dos Médiuns". Kardec foi classificado por Charles Richet como o mais influente personagem, entre os anos de 1847 e 1871, na ciência do paranormal. Maiores detalhes biográficos podem ser encontrados na biografia elaborada por Wantuil[6].
(obs: os termos entre parênteses nos dois parágrafos abaixo são acrécimos aos textos originais a título de esclarecimento ao leitor).

Na atualidade a obra de Kardec foi profundamente analisada pelo físico e filósofo da ciência Sílvio S. Chibeni, que em recente artigo[75] assim se expressou: (Kardec) "nos legou um paradigma (científico) admiravelmente coerente, abrangente, empiricamente adequado e heuristicamente fértil, que não deixa nada a desejar aos mais bem sucedidos paradigmas das ciências ordinárias, como a termodinâmica, o eletromagnetismo, as teorias da relatividade, a mecânica quântica, etc". Mais adiante, no mesmo artigo, Chibeni faz um admiravelmente sucinto resumo da obra de Kardec:
"Como uma indicação geral e aproximada, podemos dizer que O Livro dos Espíritos[7], estabeleceu a ontologia e os princípios teóricos básicos (do Espiritismo); O Livro dos Médiuns[8] e a segunda parte de O Céu e o Inferno[10] efetuaram a conexão com a base experimental; O Evangelho Segundo o Espiritismo[9] e a primeira parte de O Céu e o Inferno exploraram as repercursões filosóficas do paradigma (espírita) no campo da ética; A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo[11] e ensaios diversos nas Obras Póstumas[12] e na (Revue Spirit) Revista Espírita[123] aprofundaram vários pontos da teoria (espírita), sendo que a revista constitui também valioso repositório de relatos experimentais".

Para concluir, pode-se afirmar, com base nos trabalhos de Chagas[67,71] e Chibeni[72,75], que até hoje não surgiu uma teoria dos fenômenos espíritas mais sólida, estável, abrangente e bem sucedida que a de Kardec, a qual é a única a atender aos mais modernos e exigentes conceitos de cientificidade.

O Início do Período Científico

Esse período inicia-se com as primeiras pesquisas de Sir William Crookes (1870) e vai até a atualidade, caracterizando-se pela visão positivista de Ciência que esterilizou todos os esforços realizados.

A Psychical Research

Denomina-se de Psychical Research à linha de pesquisas iniciada pela Society for Psychical Research, linha essa de carater nitidamente positivista.

O debate entre magnetistas, sugestionistas e espiritistas não teve grandes novidades até por volta de 1870, quando a Sociedade Dialética de Londres nomeou uma comissão de estudo dos fenômenos espíritas, que trabalhou nos anos 1869-71. Segundo Conan Doyle[1], era composta de 34 membros, tinha como tema "Investigar os fenômenos tidos como manifestações espíritas", e concluiu que "o assunto era digno de maior atenção e cuidadosa investigação do que tinha recebido até então". A Sociedade recebeu muito mal essas conclusões, e recusou-se a publicar o relatório, o qual foi publicado às custas da própria comissão[138].

De sua fundação participaram os principais nomes da ciência ingleses interessados na investigação desses fenômenos.

Em 1882, por causa da recusa sistemática da Sociedade Dialética em investigar os fenômenos então designados por mesmerismo, psiquismo e espiritismo, foi fundada uma nova sociedade com esse propósito específico, por iniciativa de Sir William Barrett, com a denominação de Society for Psychical Research. Sua produção científica está registrada nos " Proceedings". Foi literalmente dominada pelos materialistas, os quais na sua maioria negavam "a priori" a possibilidade do espírito como causa dos fenômenos e, por isso, distorciam (intencionalmente ou não) os resultados das investigações realizadas e faziam uma permanente obstrução das pesquisas que tendessem a demonstrar a existência do espírito. Por outro lado deve-se ressaltar que formou um grande acervo de estudos de casos de telepatia[144,155,157,160,170,171], sugestão e hipnotismo[161,178], clarividência[172], psicografia[195], fantasmas dos vivos[162], fantasmas dos mortos[163,164], e assombrações[196]. Alguns dos seus membros, isoladamente, renderam-se às evidências do espírito em face dos fenômenos observados, especialmente fenômenos de materialização (na investigação de Eusapia Palladino pelo Dr. Hereward Carrington[188]) , mas também pela psicografia e psicofonia (na investigação de Mrs. Piper pelo Prof. Hyslop[197]).

As experiências de correspondência cruzada (mensagens interrelacionadas psicografadas por médiuns diferentes em locais diferentes) forneceram excelentes evidências da sobrevivência do espírito, e são bem relatados, dentre outros, por Mrs. Johnson[184]e por Charles Richet[199].

As investigações de Sir William Crookes

Crookes iniciou estudando os fenômenos espíritas produzidos por D. D. Home[140], que já havia sido estudado por Lord Adare[139]. Dentre outros fenômenos, Crookes (um famoso químico e físico inglês) estudou em laboratório, a partir de 1870, através da mediunidade de Florence Cook, a materialização de espíritos. Crookes publicou os resultados de suas pesquisas (inclusive várias fotografias das materializações[64]) em 1874, enfrentando grandes perseguições por causa de sua conclusão favorável à origem espírita dos fenômenos[141,142].

As investigações do Dr. Alfred Russel Wallace

O famoso naturalista Dr. Alfred Russel Wallace também fez investigações sobre os fenômenos espíritas[143], e igualmente concluiu pela origem espírita dos mesmos, padecendo também perseguições por isso.

As investigações do Prof. William Barrett

William Barrett apresentou estudo dos fenômenos espíritas à Associação Britânica para o Progresso da Ciência em 1876[356] e declarou publicamente seu apoio à hipótese espírita.

As investigações de Lord Rayleigh e do Prof. De Morgan

Famosos matemáticos ingleses Lord Rayleigh[146] e Prof. De Morgan[136], igualmente investigaram os fenômenos espíritas e declararam publicamente suas conclusões favoráveis à hipótese espírita.

Fotografias Espíritas

Outro interessante fenômeno estudado nesse período é o das fotografias das aparições de espíritos produzidas na presença de médiuns especialmente dotados. As aparições não são visíveis a olho-nú, aparecendo apenas nas fotografias. Um relato interessante é encontrado num livro autobiográfico do médium William H. Mumler, de Boston ( EUA)[212]. O Dr. Alfred Russel Wallace também relata experiências com fotografias espíritas[213].

Pesquisas sobre Telepatia e Sugestão

Sobre esse assunto pesquisaram, entre outros, Lodge[155,156], Thaw[170], Sidgwick[159,171,180], Backman[172], Ochorowicz[173], Dessoir[176], Schernck-Notzing[177], Hodgson[178], James[179], Myers[195,196], Flournoy[181,182,183], Johnson[184], Verrall[158], Salter[166], Hyslop[167,168], Troubridge[169]. Na França, Richet publicou ensaio abrangendo telepatia, clarividência, diagnóstico de doenças, e a relação entre paciente e magnetizador[198].

O Fenômeno das Vozes Diretas

Outro fenômeno igualmente interessante pesquisado na época foi o das vozes diretas, que são aquelas produzidas sem o concurso dos órgãos fonadores do médium, parecendo brotar do nada. Dentre outros pode-se citar os relatórios das seguintes pesquisas sobre vozes diretas: pesquisas do Sr. Damiani[215], da Sociedade Dialética de Londres; pesquisa do General Boldero[214], da SPR, com o médium D. D. Home, e pesquisa do Prof. Hyslop[216] sobre a médium Elisabeth Blake, de Ohio (EUA).

Moldagens em Parafina

Moldagens em parafina de membros dos espíritos materializados foi excelentemente pesquisada pelo Dr. Gustave Geley[218].

Os Grandes Médiuns do Período Científico

Os principais médiuns que contribuíram com a produção de fenômenos espíritas para estudo da ciência são citados a seguir.

Daniel Dunglas Home

Daniel Dunglas Home era escocês, nascido em 1833. Produzia principalmente fenômenos de materialização, levitação, telecinesia e "raps". Foi investigado pelo Prof. Wells, da Universidade de Harward, pelo Prof. Hare, pelo Prof. Mapes, por Sir David Brewster[147], por Sir William Crookes[141], por Aleksander Aksakof e pelo Prof. Butlerof.

Os Irmãos Davenport

Os Irmãos Davenport nasceram em Buffalo, estado de New York, EUA, em 1839 e 1841, respectivamente. Tiveram publicadas duas biografias: uma por T. L. Nichols[148], e outra por Robert Cooper[150]. Nichols também narra fatos da vida dos Davenport em outro livro[149]. Foram examinados pelos professores da Universidade de Harvard em 1857 (cf. [148] pp. 87-88), que após terem atendidas todas as suas exigências de controles contra fraude, e mesmo assim terem presenciado as materializações, não fizeram relatório, provavelmente impedidos pelos preconceitos vigentes. Deram demonstrações públicas de efeitos físicos por todo os EUA, Europa e Austrália[1].

Os irmãos Horatio e William Eddy foram grandes médiuns de materialização no estado de Vermont EUA. Iniciaram suas demonstrações nos anos de 1874/5. Foram investigados pelo Coronel Olcott, um grande pesquisador de materializações, das quais publicou relatos minuciosos[112]. Fez medidas de peso, força muscular e altura dos espíritos materializados pelas faculdades desses médiuns.

Henry Slade

Henry Slade produzia escrita-direta em lousas lacradas. Exibiu-se nos EUA por 15 anos antes de ir a Londres, onde chegou em 1876. Foi investigado pela Comissão Seybert (EUA), pelo Prof. Zöllner, em Leipzig, Alemanha[151], juntamente com os professores William Edward Weber (físico), Scheibner (matemático) e Theodore Fechner (físico). Foi estudado também em São Petersburgo (Rússia) (cf. [1], p. 247).

O Dr. Monck

O Dr. Monck foi pesquisado por Alfred Russel Wallace[152] e por Sir William Barret[153]. Produzia escrita direta em lousas seladas e materializações à plena luz do dia. Foi apanhado em fraude algumas vezes, o que não invalida suas produções verdadeiras.

Charles H. Foster

Charles H. Foster nasceu nos EUA, e foi biografado por George C. Bartlett[189]. Além de grande clarividente, apresentava também a psicofonia.

M.me. d'Esperance

M.me. d'Esperance, cujo nome de batismo era Elisabeth Hope, foi um grande médium de materializações. Escreveu uma importante autobiografia[190], e foi estudada por Alexander Aksakof[65]. Alguns de seus feitos mediúnicos são também descritos por William Oxley[191]. Teve um triste fim de vida, pois ficou irremediavelmente doente após um pesquisador ter agarrado o espírito Yolanda materializado numa seção em Helsingfors, no ano de 1893, na tentativa de provar que havia fraude no fenômeno. A desmaterialização súbita do espírito e o choque decorrente na médium a adoeceram.

William Eglinton

William Eglinton nasceu na Inglaterra. Possuía forte mediunidade de efeitos físicos. Foi biografado por J. E. Farmer[192], e foi estudado na Universidade de Cambridge, em 1880, sob os auspícios da Sociedade de Psicologia. No mesmo ano foi estudado pelo Prof. K. F. Zöllner[151]e outros, em Leipzig (Alemanha).

Stainton Moses

Stainton Moses nasceu na Inglaterra. Possuía forte mediunidade de efeitos físicos e de psicografia. Uma descrição detalhada de sua mediunidade foi dada por F. W. H. Myers[193,194].

A Metapsíquica

Após uma fase de intensas pesquisas, o estudo de fenômenos físicos foi abandonado na Inglaterra e, na França, ficou praticamente restrito aos trabalhos de Paul Gibier[185,186,187].

A Metapsíquica, também de carater nitidamente positivista, foi o resultado de um novo surto de interesse da comunidade científica sobre os fenômenos espíritas, interesse esse despertado pelo surgimento de uma nova geração de poderosos médiuns. Tal interesse resultou em longos anos de pesquisas por alguns dos melhores cérebros da Europa, daí surgindo uma nova disciplina batizada de Metapsíquica, da qual descendem as atuais Parapsicologia e Psicotrônica. Os metapsiquistas pesquisaram desde a visão de auras até os fenômenos de materialização, passando pelos de telepatia, clarividência, precognição, psicofonia (denominado de "encarnação espírita") e psicografia (denominado de "escrita automática"). As interpretações espiritualista ou materialista dos fatos observados variavam de pesquisador para pesquisador como hipótese cientificamente válidas, pois baseadas em fatos positivos.

O Renascimento do Magnetismo Animal

As pesquisas sobre visão das auras dos imãs, cristais e seres vivos, iniciadas por Reichenbach, que haviam sido desprezadas por se basearem no testemunho de sensitivos, foram retomadas em 1880 pelo Dr. Baréty[217], em 1891 pelo Coronel De Rochas[223], em 1903 pelo Prof. Blondot[224], e em 1912 pelo Dr. Kilner[225]. Seguiram-se as pesquisas de Haschek[226] (em 1914) e de Hofmann[227] (em 1919) sobre visão de auras de cristais e imãs, que deram resultados negativos. As experiências de Boirac[231,232] e Alrutz[233] (sobre a sensibilidade de pacientes à imposição de mãos), bem como as de Louis Favre[234,235] e de Paul Vasse[236] (sobre a germinação de vegetais), mais recentes, trouxeram apoio à hipótese fluidista.
Clarac e Llaguet[237] registraram a mumificação de tecidos vivos pela imposição de mãos de uma sensitiva.

Luys, Chaigneau, Guebhart, Jacobson, Yvon, Dellane, Darget, Baraduc (vide [3] p.247), Fontenay[228], e G. Le Bon (vide [3] p.247) pesquisaram ainda o registro do fluidos magnéticos em chapas fotográficas. Após a superação de erros experimentais em diversas pesquisas, concluiu-se que há fenômenos genuínos.
Zöllner[229] e Sokolowski[230] constataram a influência dos magnetizadores sobre bússolas, e Grunewald[238] fez pesquisas empregando um galvanômetro balístico de espelho, observando a produção de campos magnéticos pela aproximação da mão de alguns magnetizadores.

Os fenômenos elétricos atribuídos ao magnetismo animal foram pesquisados com o auxílio de galvanômetros por Gass-Desfossés[239] e Courtier a partir de 1874, acrescentando-se depois os eletrômetros ao aparato experimental. Tais experiências foram continuadas pela comissão do Instituto Geral Psicológico de Paris (vide [3] p. 255) em 1905, por Imoda[240] em 1908 e por Ochorowicz[174] logo em seguida. Em 1921 Yourevitch e Du Bourg de Bozas[241,242], apresentaram os resultados de suas pesquisas sobre efeitos elétricos da radiação de pacientes paranormais. Grunewald[243] também pesquisou o assunto à mesma época. 

Concluiu-se que há uma energia que, sem ser a eletricidade, tem algumas propriedades semelhantes a esta.
Devem-se ressaltar as pesquisas de Ochorowicz[175] sobre as emanações humanas, que ele denominou de raios XX devido ao seu poder de penetração muito superior ao dos raios X. Obteve inúmeras "radiografias", notadamente de mãos. Experiências assemelhadas foram feitas pelo Prof. Foa[244], da Universidade de Turim, por Geley, Richet e Sudre[245], no Instituto Metapsíquico de Paris e por Geley[246] e colaboradores, no mesmo instituto.

Eusapia Palladino

Não se pode falar da pesquisa espírita sem ressaltar a grande contribuição da médium Eusapia Palladino, cuja mediunidade despertou interesse de grandes personalidades científicas da Europa no final do século XIX. Ela submeteu-se pacientemente a longos anos de investigações científicas dos fenômenos produzidos por sua potentíssima mediunidade, investigações essas que muitas vezes colocavam em cheque sua lisura na produção desses fenômenos e provocavam-lhe grandes desconfortos físicos e psicológicos[1].

Eusapia Palladino foi um dos médiuns de efeitos físicos mais estudados pela ciência até nossos dias. Seu primeiro pesquisador foi o Prof. Chiaia, de Nápoles, que a recomendou ao estudo do Prof. Lombroso[220]. Foi estudada ainda pela Comissão de Milão (em 1892), da qual participaram o Prof. Schiaparelli, Diretor do Observatório de Milão, o Prof. Gerosa, Catedrático de Física, Ermacora, Doutor em Filosofia Natural, Aksakof, Conselheiro de Estado do Czar da Rússia, Charles du Prel, Doutor em Filosofia de Munique, e o Prof. Charles Richet, da Universidade de Paris. Foram realizadas 16 sessões.

Em seguida foi estudada em Nápoles (1893), em Roma (1893-4), em Varsóvia (1894), onde deu 40 seções para o Dr. Ochorowicz e da elite científica da Polônia, na França (1894) sob a direção do Prof. Charles Richet, de Sir Oliver Lodge[154], de Mr. F. W. H. Myers e do Dr. Ochorowicz.
Em 1895 foi estudada novamente em Nápoles, e no mesmo ano foi estudada na Inglaterra pelo Prof. Charles Richet, Sir Oliver Lodge, Dr. Richard Hodgson e Mr. Sidgwick.

Ainda no mesmo ano foi estudada na França pelo Coronel de Rochas[221]; em 1896 em Tremezzo, em Auteuil e em Choisy Yvrac; em 1897 em Nápoles, Roma, Paris, Montfort e Bordéus; em Paris, em novembro de 1898, pela comissão composta de Camile Flamarion (astrônomo), Prof. Charles Richet, Albert de Rochas, Victorien Sardou, Jules Claretie, Adolphe Bisson, Gabriel Delanne, G. de Fountenay e outros.
Em 1901 foi investigada no Clube Minerva, em Genebra, em presença dos Professores Porro, Morselli, Bozzano, Venzano, Lombroso, Vassalo e outros, e em Gênova pelos professores Morselli[247] e Porro.
Entre 1905-1908 foi estudada no Instituto Geral Psicológico de Paris[248]. 

Houve muitas outras pesquisas na Europa e nos Estados Unidos da América.
Em 1906-7 foi estudada em Gênova, pelo Prof. Morselli, onde foram tiradas fotografias, e em 1907 foi estudada por Bottazzi, em Nápoles.

Em 1908 a SPR nomeou uma comissão de três técnicos em ilusionismo, composta por Mr. W. W. Baggally, Mr. Everard Fielding e pelo Dr. Hereward Carrington, para investigar a mediunidade de Eusapia. O relatório das investigações foi publicado em 1909[188].
Em 1910 o Dr. Hereward Carrington efetuou novas experiências com a mediunidade de Eusapia, dessa vez em New York (EUA).

Investigações de Cesar Lombroso

Convidado por Chiaia[1] a investigar os fenômenos produzidos por Eusapia Palladino, Cesar Lombroso (que era um cientista famoso) convenceu-se da veracidade dos mesmos, proclamando-o publicamente, levando com isso outros cientistas igualmente famosos a se interessarem pelo estudo dos fenômenos espíritas. Publicou, dentre outros, um importante trabalho sobre mediunidade a partir do estudo de Eusapia[219].

Investigações de Schrenck-Notzing

Pesquisou o ectoplasma entre 1908 e 1913, e publicou vários trabalhos sobre o assunto[203,204,205]. Longaud também publicou sobre essas pesquisas[206]. Schrenck-Notzing comparou ao microscópio os cabelos de uma forma materializada com os da médium Eva C., que produziu a materialização. Fez análise química do ectoplasma, e obteve a filmagem do ectoplasma fluindo da boca do médium.

Investigações de Ernesto Bozzano

Realizou, dentre outros, importantes trabalhos sobre desdobramento e fenômenos de bilocação[349], fenômenos de transporte[251], comunicações mediúnicas entre vivos[252], e xenoglossia[253].

Investigações Charles Richet

Foi um dos principais pesquisadores de fenômenos espíritas. Estudou profundamente o fenômeno de materialização. O nome "ectoplasma" foi criação sua, depois de estudar os fenômenos produzidos pela médium Eva C., em Argel[200], para designar a substância exudada pelos médiuns para produção do fenômeno de materialização. Richet também constatou a correspondente desmaterialização do médium durante as materializações de espíritos[201]. Um amplo relato de suas experiências foi publicado em livro[199], tendo como obra mais importante seu Tratado de Metapsíquica[202], do qual existe uma edição esgotada em português.

Investigações Gustave Geley

Importantes estudos do ectoplasma foram feitos também pelo Dr. Gustave Geley, que foi diretor do Intituto de Metapsíquica (França), publicando importantes obras sobre o assunto[207,208]. As importantes pesquisas do Instituto de Metapsíquica estão relatadas na sua publicação oficial, intitulada "La Revue Metapsychique".

Investigações de Aleksander Aksakof

Merecem destaque suas investigações sobre fenômenos de materialização, transportes, e bilocação[66], tendo também observado o fenômeno de desmaterialização do médium de efeitos físicos durante as materializações[65].

Investigações de John Crawford


O Dr. W. J. Crawford, Professor de Engenharia Mecânica da Queen's University de Belfast (Irlanda), dirigiu uma importante série de experiências entre 1914 e 1920, com a médium Kathleen Goligher, as quais foram relatadas em livros[209,210,211]. Utilizando balanças, provou que a translação e levitação de objetos e os "raps" são produzidos por "estruturas psíquicas" que emanam do corpo do médium. Provou também que o médium perde massa à medida que expele o ectoplasma, recuperando-a parcialmente ao término dos fenômenos, e que também os assistentes contribuem com alguns gramas de massa corpórea para a produção do ectoplasma.

As Últimas Pesquisas da Metapsíquica

No final da década de 1920 e começo dos anos 1930, paralelamente ao surgimento da Parapsicologia, que deveria mudar inteiramente o rumo das pesquisas, foram realizadas importantes investigações por Eugène e Marcel Osty[254], no Instituto Metapsíquico de Paris, sobre a detecção do ectoplasma por fotocélulas infravermelhas e sobre a influência da luz vermelha e ultravioleta no ectoplasma, com a colaboração do médium Rudi Schneider.

A Metapsíquica e a Psicanálise

Inardi[2] conta que Sigmund Freud, o criador da Psicanálise, tinha inicialmente uma posição de declarado ceticismo em relação aos fenômenos de teleparia e premonição. Tal posição foi-se abalando com o passar do tempo, de modo que ele aceitou ser membro correspondente da S. P. R. de Londres em 1911 e da A. S. P. R em 1915.

Em 1921 ele escreveu um trabalho sobre psiconálise e telepatia, que seu discípulo Ernest Jones desaconselhou-o de apresentar no congresso psicoanalítico internacional em 1922 com o argumento de que a psicoanálise já era alvo de suficientes polêmicas para que os ânimos fossem ainda mais acirrados com um trabalho versando sobre assunto tão controverso. Tal trabalho foi publicado somente em 1941. Freud escreveu outro trabalho, em 1922, intitulado "Sonho e Telepatia", em que admitia a realidade dos sonhos telepáticos.

Sua mudança de posição frente aos fenômenos espíritas, após toda uma vida de estudos e observações, fica patente na carta que enviou a Hereward Carrington, em que declara: "Se eu soubesse que podia recomeçar a viver, dedicar-me-ia à pesquisa psíquica e não à psico-análise."

As Comissões de Investigação

Paralelamente às investigações citadas anteriormente, algumas comissões de investigação foram criadas para dar um veredicto científico sobre a realidade dos fenômenos espíritas. Os resultados de tais investigações foram, no geral, decepcionantes, principalmente devido ao despreparo dos membros de tais comissões frente a esse tipo de fenômenos, os quais dependem, além das condições físicas do ambiente e fisiológicas dos médiuns, das condições psicológicas de todos os presentes ao recinto do experimento. Pode-se dizer que, face ao triplo caráter Psicológico, Biológico e Físico dos fenômenos espíritas, os investigadores teriam que possuir uma formação multi disciplinar para lograrem preparar-se adequadamente para estuda-los. O caráter intimidatório de tais comissões por si só já seria elemento suficiente para inibir a maioria dos médiuns investigados, conforme Sudre ([3] p. 90 e ss.). É importante que se conheçam tais investigações para não se repetirem os mesmos erros.

Investigações da Comissão Seybert

A comissão Seybert foi criada em função de uma herança de sessenta mil dólares deixada por Henry Seybert, cidadão de Filadélfia (EUA), para a criação da cadeira de filosofia da Universidade da Pensilvânia, com a condição que se criasse uma comissão para investigar o Espiritismo. Ainda segundo Conan Doyle[1], a comissão nomeada para as investigações tinha pouco interesse no assunto, encarando a pesquisa como mera exigência legal para a posse da herança legada por Mr. Seybert. Os trabalhos começaram em 1884, foi publicado um relatório preliminar em 1887, que ficou sendo o relatório final, segundo o qual a fraude e a credulidade constituem tudo no Espiritismo, nada havendo de sério que mereça referência. Fique claro que a referida comissão testemunhou fenômenos de "raps", escrita direta, e materializações fosforecentes genuínos, apesar de também ter flagrado algumas fraudes. Caracterizou-se pela leviandade com que encarou a investigação e escreveu seu relatório.

Investigações da Comissão do Instituto Geral Psicológico de Paris

Segundo Conan Doyle[1], a comissão do Instituto Geral Psicológico de Paris realizou um total de 40 sessões com a médium Eusapia Palladino nos anos de 1904-5-6. Entre outros investigadores participantes dessa comissão tem-se registro de Charles Richet, o casal Curie, Bergson, Perrin, e d'Arsonval. Seu relatório foi muito criticado pela forma indecisa com que foi escrito, deixando o leitor na incerteza quanto à presença ou não de fraudes nos fatos relatados.

Investigações da Comissão da Scientific American

Conan Doyle[1] também cita que entre os anos de 1923 e 1925 uma comissão, nomeada pela Scientific American, estudou a médium Mrs. Crandon, mulher de um médico de Boston (EUA). O secretário, Mr. Malcom Bird, e o Dr. Hereward Carrington declararam sua adesão à hipótese espírita. Outros declararam-se sem condições de dizer se tinham sido ou não enganados, ao passo que o Dr. Prince tinha deficiência auditiva e o Dr. McDougall (vide o item referente à parapsicologia, na segunda parte deste trabalho) teria sua carreira acadêmica ameaçada se aceitasse a impopular explicação espírita dos fenômenos.

As Investigações da Comissão de Harvard

Ainda segundo Conan Doyle[1], logo após as trabalhos da comissão da Scientific American foi constituída uma pequena comissão de pessoas de Harvard, encabeçada pelo astrônomo Dr. Shapley. Também nessa comissão, apesar de satisfeitas todas as exigências experimentais dos investigadores, e de não poderem afirmar que haviam sido enganados, houve a conclusão de fraude como explicação para os resultados obtidos, numa evidente contradição que mostra a insegurança da equipe em enfrentar o desconhecido.

A Parapsicologia

O Prof. William Mac Dougall[2], famoso psicólogo inglês, foi eleito presidente da S.P.R. de Londres em 1920 e no mesmo ano transferiu-se da universidade de Oxford (Inglaterra) para a universidade de Harvard (Boston, EUA), onde assumiu a cátedra de psicologia e logo veio a assumir a presidência de A.S.P.R.
Nesse ínterim participou, entre 1923 e 1925, da comissão de investigação da Scientific American sobre os fenômenos espíritas.

Em 1927 foi chamado para dirigir o Instituto e a Faculdade de Psicologia da Universidade de Durham (Carolina do Norte, EUA), também conhecida como "Duke University".
Ao transferir-se para a "Duke", Mac Dougall convidou o jóvem doutor em botânica (então com 32 anos) e interessado em metapsíquica Joseph Banks Rhine para acompanhá-lo, confiando-lhe um projeto de pesquisa que não tivera condições de concretizar em Harvard.
Rhine gastou três anos em estudos preparatórios, e em 1930 iniciou a pesquisa propriamente dita[41], tomando rumos inteiramente novos em relação a tudo que já havia sido feito até aquela data em termos de pesquisa dos fenômenos paranormais. Ao invés de médiuns especialmente dotados, estudou indivíduos tomados ao acaso entre estudantes e voluntários, empregando um jôgo de cartas padronizadas (conhecidas como baralho Zener) e o método estatístico para o estudo dos fenômenos de telepatia, clarividência e precognição, batizados coletivamente de Percepção Extrasensorial[43] (ESP - Extrasensory Perception). Posteriormente o método estatístico foi adaptado ao estudo quantitativo dos fenômenos de Psicocinesia (PK - Psychokinesis).

Diversos pesquisadores, tanto da Europa quanto dos EUA já haviam feito experiências com a telepatia, mas somente com o início das pesquisas de Rhine a qualidade das evidências obtidas a favor da existência da telepatia e da clarividência mudou definitivamente para melhor. Após 85.000 provas feitas com os mais rigorosos cuidados contra fraudes mesmo que involuntárias, os resultados foram publicados em 1934, apresentando média de acerto acima de 7 em 25 (28%), ao passo que o puro acaso permitiria acerto de apenas 5 em 25 (20%). Foram feitas também experiências de telecinesia em que se pesquisava, com a mesma técnica de análise estatística, a possibilidade dos pacientes influenciarem os resultados do arremesso de dados. Aconselha-se a leitura das obras de Rhine[58,60] na lígua original (inglês), pois as traduções para o português atualmente existentes desfiguram seriamente o texto original.

O principal feito do trabalho de Rhine foi evidenciar estatisticamente a existência de uma "faculdade paranormal". Até nossos dias a parapsicologia (que não pode ser chamada de ciência por não preencher os modernos critérios de cientificidade) não conseguiu atingir seu outro grande objetivo, que é o de estabelecer as relações entre as faculdades paranormais e as outras faculdades da mente (evita-se escrupulosamente a palavra " espírito" em parapsicologia). Outra grande limitação da parapsicologia é sua fragilidade na pesquisa das bases físicas da paranormalidade, além da fundamental ausência de uma teoria satisfatória e abrangente para os fenômenos, pois a teoria espírita elaborada por Kardec (que é a única, até hoje, a explicar satisfatoriamente os referidos fenômenos e a preencher aos mais rigorosos critérios de cientificidade) é rejeitada "a priori" pelos seus adeptos.
A grande limitação do método estatístico da parapsicologia é que ele se presta apenas ao estudo de uma pequena classe de fenômenos, e mesmo nos casos de telepatia e clarividência (que constituem as faces da "percepção extrasensorial" - ESP) não substitue o método qualitativo (cf. [3] p. 58).

No primeiro grupo de bibliografias sobre parapsicologia estão as que a definem como um campo da ciência, apresentam suas subdivisões, relações com outras áreas do conhecimento, e definem termos e conceitos[41,58,260,...,267]. No segundo grupo estão as que apresentam os métodos objetivos de pesquisa[268,...,279]. No grupo seguinte são apresentadas as bibliografias que apresentam os fatos a respeito de PSI e de seus tipos[280,...,318], e em seguida as que abordam a relação entre PSI e o mundo físico[319,...,337].

A Psicotrônica

Na extinta União Soviética os estudos dos fenômenos espíritas ganhou o nome de Psicotrônica[2], nome esse que exprime a superação dos limites da Psicologia, entendendo-se por Psicotrônica a disciplina que se ocupa das energias do ser humano tendo como objetivo o conhecimento das possibilidades de interação entre homem e homem e entre homem e ambiente através de capacidades possuidas por quase todos. Tal como a Parapsicologia, a Psicotrônica também não é uma ciência e também carece de uma teoria satisfatória e abrangente para explicar os fenômenos espíritas, pois a teoria espírita elaborada por Kardec (que, repetimos, é a única, até hoje, a explicar satisfatoriamente os referidos fenômenos e a preencher aos mais rigorosos critérios de cientificidade) também é rejeitada "a priori" pelos adeptos da Psicotrônica.

Pode-se destacar, dentre outras, as pesquisas sobre telepatia do fisiologista Leonid Leonidovitch Vasiliev, realizadas a partir de 1950 nom laboratório por ele organizado no Instituto de Fisiologia da Universidade de Leningrado (atual São Petersburgo). Foram lançados no ocidente dois livros de sua autoria sobre o assunto[338,339].

Dentre outros trabalhos, é digna de menção a investigação do agente telecinético Boris Vladimir Ermolaev, realizada pelo doutor em Psicologia, prof. V. N. Pushkin[340].

Os doutores V. M. Iniushin e G. A. Sergeiev, postularam independentemente a existência de um "bioplasma"[341,...,343] que poderia explicar muitos dos fenômenos paranormais.

As pesquisas psicotrônicas foram cerceadas pelo materialismo oficial dos paises da cortina de ferro, que lançava em desgraça qualquer pesquisador que tendesse a evidenciar a hipótese do espírito. No entanto realizaram grandes avanços no estudo dos aspectos físicos da paranormalidade.

A Psicobiofísica

Procurando romper os nós que paralizaram a Parapsicologia e a Psicotrônica, Andrade propôs a Psicobiofísica[40], disciplina que, baseada na teoria espírita elaborada por Kardec, procura unir a Física à Biologia e à Psicologia para atacar o problema da compreensão integral dos fenômenos paranormais (ou espíritas).

Prosseguiu na linha de raciocínio inaugurada por Zöllner e propôs, na Teoria Corpuscular do Espírito, um modelo de espaço de pelo menos quatro dimensões para explicar os fenômenos espíritas, modelo com que o autor oferece caminhos para a concepção de novos experimentos para se investigarem as bases físicas desses fenômenos, tarefa em que a Parapsicologia fracassou. Seus livros[42,...,49,40], são importantes fontes de informações pois, aliado à excelente didática, oferecem ao leitor uma visão de conjunto das bases teóricas da Física, Biologia e Psicologia que, unidas e estendidas, resultam em um modelo de realidade física na qual o espírito é um elemento natural. 

Do mesmo autor também estão disponíveis, dentre outros, trabalhos de pesquisa sobre reencarnação[48,51], poltergeist[49,...,51], e "drop-in"[52] (manifestação espontânea do espírito de um falecido que apresenta todos os dados objetivos necessários à sua plena identificação).

OOBE (Experiência Fora-do-corpo)

Experiência Fora-do-Corpo indica o fenômeno em que o indivíduo vê-se saindo do corpo físico e mergulhando numa realidade que extrapola a nossa realidade física, embora geralmente mantenha durante o fenômeno perfeita consciência do que se passa com o seu corpo físico. Durante tais estados de consciência o indivíduo pode deslocar-se a outros sítios e reportar o que vê, havendo relatos de casos em que o indivíduo consegue também provocar efeitos materiais de sua presença no sítio a que seu "corpo astral" se deslocou. 

Tal fenômeno é também denominado "viagem astral" ou "desdobramento".
Blackmore[344] publicou uma revisão dos trabalhos científicos sobre OOBE onde o leitor poderá encontrar uma crítica razoável das pesquisas sobre o assunto. Entre trabalhos científicos e depoimentos de experiências de OOBE, publicações importantes foram também feitas por Crookall[345,...,348], Bozzano[349], Monroe[349], Muldoon[350,351], Prado[352], Ritchie[62], Vieira[61], Zaniah[353], e Osis[354,355].

NDE (Experiência de Quase-Morte)

Foram observados muitos pontos em comum nos relatos de indivíduos ressussitados de paradas cardíacas e outras situações de quase-morte. Tais semelhanças foram notadas mesmo entre indivíduos de culturas, credos, raças, idades e profissões diferentes. Tais relatos incluem, no geral, uma experiência fora-do-corpo, o encontro com seres "espirituais", a travessia de um "túnel", e o retorno ao corpo físico.

As principais pesquisas sobre o assunto foram feitas por Barrett[356], Osis[357,358], May[359], e Moody Jr.[54,55].

Reencarnação

Reencarnação é entendido como o renascimento do mesmo espírito em diferentes corpos humanos, em vidas sucessivas.

Uma das linhas de pesquisa baseia-se na comprovação documental das lembranças de vidas anteriores relatadas pelos indivíduos, dentre os quais inúmeras crianças de tenra idade. Nessa linha tem-se as pesquisas brasileiras de Andrade[48,51], e as pesquisas de Stevenson[63,363]. Uma outra linha de pesquisa interessante é a que procura marcas de nascença nos reencarnantes que evidenciem algum tralmatismo físico ocorrido numa encarnação anterior ("birthmarks"). Nessa linha tem-se , por exemplo, as pesquisas de de Andrade[53] e as Muller[364].

Uma outra interessante linha de pesquisa sobre reencarnação, muito inovadora pela sua metodologia, é da Dra. Helen Wanbach[56], que se baseia na análise estatística das reminiscências relatadas por indivíduos submetidos a regressão de memória através de sugestão hipnótica. Essa técnica torna a confrontação dos dados colhidos com os registros históricos bem mais fácil que no caso de dados individuais, e elimina as tendências pessoais, o que é muito importante.

Uma conseqüência das pesquisas sobre reencarnação foi o surgimento, na Psicologia, da Terapia de Vidas Passadas. Netherton[365] foi o pioneiro dessa linha terapêutica que está encontrando grande aceitação no Brasil, provavelmente devido à grande disseminação e aceitação da idéia da reencarnação entre nós.

EVP (Fenômeno das Vozes Eletrônicas)

O fenômeno das vozes eletrônicas foi descoberto por acaso quando Juergenson[366] realizava gravações de canto de pássaros no campo e apareceram vozes falando em línguas estranhas na fita, vozes essas que falavam frases compostas de palavras de várias línguas diferentes e se dirigiam a ele.

À descoberta de Jürgenson seguiram-se as observações de, dentre outros, Bander[57], Raudive[367] e Meek[79], que obtiveram igualmente mensagens em gravadores. Mais recentemente observaram-se o aparecemento de mensagens também em discos magnéticos de computadores, na forma de arquivos- texto.

Pesquisas Espíritas da Atualidade

Talvez por serem os pesquisadores profissionais espíritas em pequeno número, relativamente ao total de adeptos do Espiritismo no Brasil atual, talvez pela reconhecida falta de tradição dos brasileiros em documentar os fatos (diz-se que o Brasil é um país sem memória), a produção de obras espíritas de caráter científico é ainda bastante modesta, mas pode-se pinçar alguns exemplos importantes que, embora às vezes sem assumirem o título de "científicas", na abalizada opinião de Chagas[78] são obras inatacavelmente científicas, as quais podem servir de modelo para a produção de pesquisas para cuja realização muitos espíritas estão capacitados. Tais obras são os já clássicos livros Diálogos com as Sombras[78] e Histórias que os espíritos contaram[368], de Hermínio C. Miranda, e os livros Surpresas de uma pesquisa mediúnica[369] e Curiosidades de uma experiência espírita[370] de Nazareno Tourinho.

Outras obras espíritas que merecem especial destaque, essas assumindo nitidamente o carater científico, são os já mencionados trabalhos de pesquisa sobre reencarnação[48,51], poltergeist[49,...,51], e "drop-in"[52] (manifestação espontânea do espírito de um falecido que apresenta todos os dados objetivos necessários à sua plena identificação) de Andrade, e o trabalho do químico brasileiro Tubino[76,77] sobre mediunidade de ectoplasmia, em que são analizadas as características dos médiuns que liberam ectoplasma, as possíveis consequências para o médium do uso inadequado dessa faculdade, a metodologia de tratamento dos médiuns de ectoplasmia desequilibrados, onde e como liberar ectoplasma, e algumas características do ectolpasma liberado para fins de cura.

Tais obras talvez se constituam nos marcos iniciais do que pode vir a ser designado de "Período Neocientífico" ou "Período Espírita" das pesquisas de fenômenos espíritas, período esse caracterizado pela superação da visão positivista de ciência e pelo reconhecimento do caráter inatacavelmente científico da obra de Kardec. Certamenta que há outras obras dignas de nota, mas as acima citadas são suficientes para o leitor ter uma idéia do que é uma pesquisa genuinamente espírita.