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segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Mediunidade Infantil - Parte II - Conceitos e Reflexões




A mediunidade infantil é um tema muito importante pois uma vez tratado com serenidade e lucidez permite que a criança médium cresça mais consciente e mais confiante em si mesma, conseguindo encarar a sociedade de forma tranquila, não obstante esta, em sua maioria, tratar o tema com muita superficialidade e ignorância. 

Com o objetivo de aprofundar mais o assunto já introduzido no post 1, procuraremos detalhar um pouco mais os seguintes tópicos:





Um retrato da mediunidade na infância

Pais devem educar-se para educar os filhos


 Um retrato da mediunidade na infância


A mediunidade é uma faculdade humana caracterizada pela percepção e intercâmbio de informações entre um indivíduo, o médium, e pessoas que passaram pelo evento denominado de morte, no qual abandonaram seus corpos de carne, conservando  um corpo espiritual, de natureza mais sutil e diferente,porém visualmente igual ao anterior.


A mediunidade é uma faculdade complexa e cheia de sutilezas. Pode se desenvolver da noite para o dia, como também gradualmente, ao longa da vida do indivíduo e  nas mais diferentes idades.  O exercício da mediunidade na fase adulta do médium é o momento mais comum em que podemos observar o uso da mediunidade. Mas, poderíamos nos perguntar, se é de conhecimento comum o fato de que até mais ou menos os 7 anos de idade o processo reencarnatório não encontra-se completamente finalizado, por que então temos tão poucas crianças médiuns ? A questão não é a falta de crianças médiuns, elas existem, como mais na frente mostraremos alguns casos, a questão aqui é que as crianças estão subordinadas em todos os aspectos aos pais, nada mais natural do que isso, sendo assim, absorvem as crenças destes a partir de tenra idade. Quando tais crianças começam a apresentar faculdades espirituais são, comumente, reprimidas e, o que para elas é natural é visto pelos pais como uma coisa que ultrapassa os limites do natural(sobrenatural), logo são reprimidas e coagidas a não falarem o que percebem, vêem e sentem. Para resolver o "problema" muitas vezes levam a criança a padres, pastores ou ainda psicólogos ou psiquiatras, porém, comumente, as medidas preconizadas mostram-se ineficazes ou ainda prejudiciais à criança. Ela continua a ver, ouvir e conversar com espíritos. Ao dormir, percebe-se fora do corpo e, ao acordar, comenta com a mãe que conversou com "anjos". Tudo isso sem conhecimento prévio de assuntos ligados à vida após a morte. 

Essas "coisas" acontecem na intimidade dos lares do Brasil e do mundo. Porém, a falta de educação dos pais no assunto, faz com que as crianças sofram devido a ignorância geral sobre o tema, sendo então reprimidas em suas manifestações espirituais naturais e espontâneas. Assim, não é que não existam crianças médiuns. Elas estão, na verdade, na maioria das vezes, imersas em si mesmas, em conflito entre o que vêem e sabem ser real e a crença das pessoas que a rodeiam.

Mostraremos alguns casos de mediunidade infantil para que seja possível uma pequena amostra de como esses fatos se dão:

No volume de Camille Flammarion: A Morte e o seu Mistério - Volume III(Após a Morte), contam-se 9 casos desse gênero.Para conhecimento dos demais casos, remetemos o leitor ao livro que os contém. A Sra. Anne E. Carrère, residente na Argélia, escreveu o seguinte (pág. 265) a Flammarion:



“Meu marido, um dos homens mais inteligentes, justos e bons que já viveram no mundo, me prometera que, se morresse antes de mim, viria certissimamente dar-me uma prova positiva da sobrevivência, desde que fosse possível. Ele morreu a 10 de outubro de 1898. Nossa família se compunha dele, de mim e de uma filha nossa que ficara viúva ainda muito jovem, com três filhinhos, que são três homenzinhos, o mais velho dos quais contava então 5 anos, o segundo 3 e meio e o outro 2 anos e meio. Durante o doloroso período da última enfermidade de meu marido, uma família amiga tomara a seu cargo as crianças, às quais foi ocultada a morte do avô. O mais moço dos três – Guy – no dia e à hora dos funerais se achava à mesa com os nossos amigos, quando de súbito se ergueu da cadeira, exclamando: “Aqui está o vovô! Junto à janela. Olhem!” E, dizendo isso, desceu da cadeira para correr ao encontro do avô.

Lembro-me de que ele tinha apenas dois anos e meio e que, não só ignorava o falecimento de meu marido, como nenhuma ideia fazia da morte.

No dia seguinte, de manhã, estava ele brincando num quarto contíguo ao meu e o ouvi de repente a saltar e a rir, gritando: “Vovô! Meu vovô!” Contrariada com isso, saí depressa para fazê-lo calar-se. O menino, porém, continuou a bater alegremente as mãozinhas, rindo e dizendo: “Olha como o vovô está bonito, assim vestido de branco! E tem uma roupa luminosa!” Ao barulho que ele fazia, acorreram minha cunhada e os domésticos, ficando todos impressionados com as suas exclamações e lhe perguntaram em que lugar via o avô. O menino pareceu espantado de que todos não o víssemos e exclamou surpreendido: “Está ali! Não o vêem?” Seus olhos fitavam um ponto do espaço, onde poderia achar-se o vulto de um homem; em seguida, todos notaram que o seu olhar acompanhava alguma coisa que se elevava no espaço e logo o ouvimos exclamar: “Ah! o vovô foi-se embora!”

Abaixo temos a história do médium, católico, Pedro Siqueira que nos conta um pouco sobre a sua infância em uma entrevista à apresentadora Marília Gabriela. Muito sereno, ele relata as suas experiências quando era criança. Devido à sua crença, ele chama espíritos assediadores ou obsessores de "seres demoníacos", mentores de "santos",  mediunidade de "dons do espírito santo" e etc, mas o importante aqui é observar suas experiências enquanto um médium criança. Importante observar e ver as dificuldades que fazem parte da vida de uma criança médium e como pessoas que possuem alguma familiaridade com o assunto e podem ajudar a criança, em algum nível, é relevante. Neste caso o avô e a irmã do avô.



Abaixo, aos 2 min e 30 segs, no documentário sobre a vida e obra da médium Isabel Salomão, vemos ela relatar um pouco sobre a sua mediunidade na infância. O documentário vale a pena ser visto :)




Quem não conhece a infância de Chico Xavier ?  Aos 4 anos de idade sua mãe desencarnou e pouco depois ele já conversava com ela, e recebia conselhos, faziam preces juntos. Conviveu com Espíritos diariamente durante mais de 90 anos de vida. Mas sofreu uma enorme incompreensão por parte dos que estavam próximos.

Nossa experiência pessoal também nos legitima a falar um pouco sobre o tema. Temos, em nossa família, uma criança em processo de desenvolvimento natural da mediunidade. Em 3 ocasiões ela já demonstrou o contato com nossos mentores espirituais. A primeira vez, em uma reunião familiar onde estavam sendo mostradas algumas fotos a criança disse, ao observar uma foto nossa: "O Carlos disse que gostou muito dessa foto." Disse isso de um modo muito natural, em uma ocasião totalmente sem nenhuma conotação espiritual, uma reunião comum de família. Carlos é um dos nossos mentores espirituais. A criança nada sabia sobre ele, nem mesmo da sua existência. Em outra ocasião ele disse, bem assustado: "Tem um velho atrás de você...espera...sai do meio, deixa eu ver...ué sumiu, eu tinha certeza que tinha visto !". Em uma reunião mediúnica de estudo, perguntamos sobre o ocorrido e ficamos sabendo que ele havia visto nosso outro mentor , nesse caso, Amaro. Em outra ocasião, praticamente 1 ano depois do primeiro evento relatado, em um dia de reunião mediúnica, faltando pouco mais ou menos uma hora para o início da reunião, a criança disse, como quem escuta alguém falando, mas não sabendo de onde vem: "O Carlos chegou....O Carlos chegou ? Quem é Carlos ?" Uma hora mais tarde, o Carlos dava início aos trabalhos mediúnicos, por meio da psicofonia.



O tema também já foi abordado no cinema, o filme "O Sexto Sentido" relata muito bem o drama que pode acometer uma criança com faculdades mediúnicas desenvolvidas. Abaixo, vemos um trecho emocionante do filme, o que pode nos ajudar a ter a percepção do sofrimento da criança médium que não conta com ninguém para elucidar  o que vê ou sente.







Pais devem se educar para educar os filhos

Antes de mais nada, uma coisa precisa ficar muito clara a nós todos: A Vida Após a Morte é um fato ! Faz parte da realidade inerente a cada um de nós, seres humanos. Todos nós morreremos e nos perceberemos fora do corpo em algum momento no tempo. Não se trata, portanto, de uma ideia filosófica bonita ou mesmo de um sistema teológico engendrado na mais alta cúpula dos concílios por aí existentes.

Nós somos Espíritos. Neste momento, no entanto, possuímos um veículo físico para nos manifestarmos aqui neste planeta,mas em determinado momento nos desligaremos dele e voltaremos à nossa condição normal de existência.


Esta realidade precisa estar muito bem internalizada nos pais de uma criança médium, pois, assim, eles terão mais preparo para saber lidar com a mediunidade que vai aflorando aos poucos com o desenvolvimento da criança, ou que se manifesta de forma abrupta.

Neste sentido, o estudo de obras sobre o tema, principalmente aquelas que incitem à reflexão sobre a personalidade humana e o móvel de suas ações, o egoísmo e o livre-arbítrio, são de uma importância vital para que os pais possam ter uma visão de todo da sociedade e possam preparar o seu filho médium para encarar, com naturalidade, os conflitos que certamente virão, pois os seres humanos estão distribuídos nas mais diferentes e antagônicas visões de mundo, desde as crenças simples e primitivas de povos selvagens, passando pelos intrincados sistemas teológicos e filosóficos e chegando ao Materialismo que insiste em carcomer, debalde, por meio de sofismas, as mais sublimes iniciativas da espiritualidade no campo da ciência. 

É importante que a criança médium tenha uma base existencial sólida para pisar, e isso, atualmente, apenas os pais podem proporcionar, pois eles conviverão com ela de forma integral. Não será no colégio que ela aprenderá sobre assunto, nem com os amigos. Nas aulas da evangelização infantil temos um começo, mas não basta apenas matricular a criança em uma turma e se abster da educação dela. 

 

Guilherme, criança médium.

A criança médium precisa compreender o que ela vive, entender que é real, mas ao mesmo tempo precisa saber lidar, de forma equilibrada, com a incompreensão alheia acerca da imortalidade da alma, coisa que, para ela, é absolutamente natural. Ela deve ser educada, lentamente, para ser um adulto com uma boa visão crítica do mundo que o cerca. Tudo isso para que possa crescer um adulto auto-confiante e que não precise esconder sua mediunidade, mas antes saiba lidar com ela de forma racional e equilibrada.

Fenômenos na Mediunidade Infantil

No tocante aos fenômenos na mediunidade infantil o mais comum são as visões e a clariaudiência.

No caso do famoso filme a criança dotada de fluidos e mediunidade conseguia promover através da ação dos espíritos e sem sua vontade fenômeno de efeito físico, o que é uma faculdade mediúnica mais rara e pouco observada na infância.

Já no caso recente ocorrido no Rio Grande do Sul em que temos um caso de obsessão com fenômeno físico como pedras que cairam no telhado da casa, objetos volitando no ar e a criança obsediada, os fenômenos se deram e ainda continuam, pelo que soubemos até a semana retrasada sobre o caso, devido a mediunidade da adolescente dentro de um contexto de obsessão.

Para abordarmos mais conselhos postamos o vídeo abaixo dedicado aos pais e familiares que buscam auxílio em como lidar com crianças médiuns.







No próximo post traremos uma entrevista com Luis Hu idealizador da obra realizada em parceria com Maurício de Souza voltada à crianças médiuns, esperamos ter levado conforto aos que buscam maiores informações sobre mediunidade infantil.

Agradecemos a todos pelo carinho de sempre, paz e luz, ótima semana!