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sábado, 4 de outubro de 2014

Uma Análise do livro “Muitas Vidas, Muitos Mestres” de Brian Weiss

Olá, amigos :) Iniciamos hoje uma análise do livro "Muitas Vidas, Muitos Mestres" do psiquiatra norte-americano Dr. Brian Weiss. Faremos alguns posts que abordarão os seguintes tópicos:

1.Introdução
2.São, de fato, lembranças ?
3.Integração do fenômeno com outros que demonstram a imortalidade da alma
4.Estudos relacionados

5.Conclusão

No post de hoje trataremos dos dois primeiros pontos. Colocamos abaixo uma sinopse do livro. Convidamos os amigos que não leram ainda o livro a fazê-lo e que todos nós possamos colocar nossas observações.

***


Sinopse


O Dr. Brian Weiss é um médico e pesquisador moldado por anos de estudos nas práticas tradicionais da psiquiatria. Embora tivesse conhecimento de estudos sobre parapsicologia desenvolvidos em grandes universidades americanas, ele nunca lhes dedicara grande atenção ou os considerara seriamente.

Mas um dia ele conheceu Catherine.

Por mais de um ano ele empregou o método terapêutico convencional para ajudar sua jovem paciente a superar fobias e ataques de ansiedade. Não obtendo sucesso após dezoito meses, ele tentou a hipnose para levá-la a vivenciar traumas da primeira infância.

Ao instruí-la para voltar no tempo em que seus sintomas começaram, ela pôs-se a descrever, com detalhes impressionantes, experiências de vidas passadas que provaram ser a origem de seus problemas. Ainda em transe, Catherine revelou fatos da vida do Dr. Weiss absolutamente desconhecidos na comunidade onde viviam.

Ao mesmo tempo, Catherine passou a transmitir mensagens de espíritos altamente desenvolvidos – os Mestres. Habitando o “espaço entre vidas”, estas entidades não possuem um corpo físico, mas têm um enorme conhecimento. Através de Catherine, os espíritos mostraram os caminhos para a sabedoria e revelaram muitos segredos sobre a vida e a morte.

Estas memoráveis sessões transformaram profundamente a mente e a alma tanto da paciente quanto do terapeuta. Em apenas alguns meses, os sintomas de Catherine desapareceram e ela passou a experimentar uma paz e alegria nunca antes sentidas.

O Dr. Weiss, que é hoje considerado o maior especialista em terapia de vidas passadas, ganhou uma nova e aguda consciência do mundo que está além dos nossos sentidos, tornando-se mais paciente e amoroso.

Esta fantástica jornada vivida por Catherine e pelo Dr. Weiss é uma experiência que eles continuam a partilhar com o mundo. Nas palavras do próprio autor: “As respostas já estão dadas. Somos imortais. Vamos sempre estar juntos”.

***

Introdução




O presente artigo tem como objetivo realizar uma análise da obra “Muitas Vidas, Muitos Mestres” do Dr. Brian Leslie Weiss.

            Dr. Weiss graduou-se na Universidade de Columbia, em Química, e posteriormente em Medicina pela Universidade de Yale em 1970, estagiou no campo de medicina interna, na New York University Medical Center, retornando posteriormente à Yale para dois anos de especialização em Psiquiatria.

Após algumas décadas de carreira, Dr. Weiss conduziu seus estudos à problemática de existência do ser após a morte, tendo como tema de pesquisa a Reencarnação.

Em “Muitas Vidas, Muitos Mestres”, ele relata os acontecimentos que o fizeram iniciar suas pesquisas sobre reencarnação e vida após a morte. Conta a história de uma paciente sua que, sob efeito da hipnose, começa a  externar lembranças de outras vidas.

Catherine – pseudônimo dado a paciente para preservar a confidencialidade – o procurou para tratar uma série de problemas psíquicos como ansiedade e fobias diversos.

No início do livro, o autor traça o perfil da paciente:

“Era a filha do meio, educada numa família católica conservadora de uma cidadezinha de Massachusetts, EUA. O irmão, três anos mais velho, era muito forte e gozava de uma liberdade que nunca lhe permitiram. A irmã mais nova era a preferida dos pais.”

“Sua religião era simples e sem questionamentos. Fora educada para acreditar na ideologia e nas práticas tradicionais católicas e jamais duvidara da veracidade e validade de sua fé. Acreditava que, sendo boa católica e vivendo corretamente na obediência da fé e dos rituais, ganharia o Céu; caso contrário, iria para o Purgatório ou para o Inferno. O Deus patriarcal e seu Filho decidiriam isso. Depois, fiquei sabendo que Catherine não acreditava em reencarnação; na verdade, sabia muito pouco a respeito, embora tivesse lido alguma coisa sobre os hindus. Reencarnação era uma ideia contrária aos conceitos em que fora criada e nos quais acreditava. Jamais lera nem tinha interesse por qualquer literatura metafísica ou ocultista. Estava tranquila na sua crença.”

Dito isso, damos início agora à analise do conteúdo do livro.


São de Fato Lembranças ?




Como poderíamos deduzir que o que Catherine externava, durante o transe hipnótico,  eram, de fato, lembranças ?


O processo de regressão é eficaz em recuperar lembranças ?


Cabe a nós, antes de mais nada,  na análise de casos de lembranças de vidas passadas alcançadas por meio de regressão de memória, verificar se o processo de regressão de memória é eficaz na sua proposta de recuperar lembranças de eventos ocorridos na vida de um indivíduo. Vamos responder a pergunta proposta acima com base  nos próprios fatos expostos no livro.

Antes de Brian Weiss induzir Catherine ao estado hipnótico e efetuar a regressão de memória, ele tentou, em conversas com ela, fazer com que se lembrasse de alguns fatos da sua vida desde a infância. O que ela o fez com dificuldade. Tal procedimento é prática comum realizada pelos médicos e psicólogos a fim de diagnosticar uma doença ou problemas psíquicos, chama-se Anamnese.


Entre os fatos lembrados por ela, há a ocorrência de um empurrão, de um trampolim, que sofreu aos 5 anos de idade, onde despencou em uma piscina. Tal lembrança ocorreu em estado normal de consciência, em uma conversa simples com o médico.

Antes de continuarmos, cabe aqui lembrarmos que o processo de regressão hipnótica de memória vai induzindo o indivíduo a voltar cada vez mais no tempo, mentalmente,  e assim ele vai tendo percepção de lembranças que até mesmo já havia esquecido. O próprio indivíduo expõe os fatos vivenciados por ele, o terapeuta apenas o guia ao longo das idas e vindas no tempo mental do indivíduo, na tentativa de investigar as raízes dos seus traumas, fobias e ansiedades que o impedem de levar uma vida psicologicamente saudável. Essa sempre foi a única intenção do Dr. Brian Weiss desde o início ao trabalhar com Catherine o seus problemas.

Ao ser induzida ao estado hipnótico e ir voltando gradualmente no tempo, em transe, Catherine fez referência ao mesmo evento do empurrão anteriormente descrito. Porém, dessa vez, a lembrança foi muito mais intensa, ela reviveu a experiência internamente e com muito mais detalhes do que o exposto em sua conversa com o médico, o que foi descrito pelo Dr. Brian:

“Ao falar sobre isso, no meu consultório, ela começou a sentir falta de ar. Falei que a experiência já havia passado e que ela se encontrava fora d’água. A falta de ar parou e ela voltou a respirar normalmente”.

Tais reações se repetem inúmeras vezes ao longo das várias lembranças expostas no livro, sejam de eventos da atual existência de Catherine ou de eventos que nos sugerem fortemente ser oriundos de vidas passadas.

Esse conteúdo mental obtido por meio do processo de regressão hipnótica, alude a lembrança do evento vivido por Catherine anteriormente - O empurrão do trampolim - exatamente na idade de 5 anos(ponto na regressão onde ocorreu o evento supracitado) como havia revelado em conversa prévia com o médico, a única diferença foi que Catherine lembrou do evento de forma muito mais profunda, praticamente revivendo o evento ali, no consultório do médico.

Este exemplo, entre muitos outros, nos mostra que o procedimento de regressão de memória (a restrita apenas ao escopo da vida atual do paciente) é capaz de fazer com que, de fato, ele relembre eventos que ocorreram anteriormente em sua vida e, como visto aqui de forma resumida e melhor exposto no livro em análise, de forma muito mais intensa. Durante o processo, várias outras lembranças da atual vida, facilmente verificáveis e comezinhas, emergiram da mente de Catherine. Além disso, o processo foi usado, com sucesso, no tratamento de traumas e outros problemas de centenas de outros pacientes do médico. O que nos faz concluir que o processo de regressão de memória de fato faz com que, sob efeito de hipnose, certas pessoas possam lembrar-se de fatos ocorridos anteriormente em suas vidas.

    Portanto, podemos perceber que o processo de regressão é eficaz ao induzir um indivíduo a retirar suas lembranças, mesmo as mais remotas, dos escaninhos da mente.


É lógico pensarmos em lembranças de vidas passadas obtidas por regressão de memória ?

 


Para que possamos responder a essa pergunta, é necessário uma análise da forma como o fato se deu.

Após constatar que ao regredir Catherine à idade de 3 anos ela não melhorara de seus sintomas, Brian disse:

“Fiquei surpreso. Não entendia o que estava errado. Teria acontecido alguma coisa antes dos 3 anos ?...Resolvi levá-la a regredir ainda mais.”

“Lentamente, fui levando Catherine até a idade de 2 anos, mas ela não se lembrou de nada importante. Disse-lhe em tom firme e claro: - Volte para a época em que surgiram seus sintomas

Neste exato momento, Catherine começa a relatar suas lembranças de outras vidas. O fato foi extremamente chocante para o Dr. Brian Weiss:

“Eu estava totalmente despreparado para o que ocorreu em seguida”

“Estava perplexo ! Vidas anteriores ? Reencarnação ? Meu conhecimento clínico me diz que ela não estava fantasiando aquilo tudo, que ela não inventara. Seus pensamentos, expressões, a atenção a determinados detalhes, tudo era diferente do seu estado consciente. Toda a gama de possíveis diagnósticos psiquiátricos me veio à mente, mas seu quadro psiquiátrico e sua estrutura de caráter não explicavam essas revelações. Esquizofrenia ? Não, ela jamais demonstrou qualquer distúrbio cognitivo ou de pensamento. Nunca tivera alucinações auditivas ou visuais, não ouvia vozes nem tinha visões quando estava acordada ou quaisquer outros tipos de estados psicóticos. Não delirava nem se desligava da realidade. Não tinha personalidade dupla ou múltipla. Havia apenas uma Catherine e, conscientemente, ela sabia disso. Não apresentava tendências sociopatas ou antissociais. Não era atriz. Não fazia uso de drogas nem ingeria substâncias alucinógenas. O uso de álcool era mínimo. Não tinha doenças neurológicas ou psicológicas que explicassem essa experiência tão intensa e imediata quando hipnotizada...Não podia explicar, mas também não podia negar a realidade.”

Quem conhece o mínimo de hipnose sabe que o procedimento nada mais é que levar um indivíduo a um estado no qual ele fica suscetível à forte sugestão emitida pelo hipnotizador, de tal modo que o sujeito obedece com facilidade aos comandos do seu hipnotizador.

Ora, foi precisamente o que Brian fez com Catherine, quando, não encontrando os reais motivos dos seus traumas em suas lembranças até 3 anos de idade, emitiu o comando que desencadeou as lembranças de outras existências:

“Volte para a época em que surgiram seus sintomas”



Note que ele em nada especificou sobre voltar a uma vida anterior, nem o faria, já que, como exibido acima, não acreditava em tal possibilidade. Disse apenas e tão somente que voltasse à época em que surgiram seus sintomas. Catherine simplesmente obedeceu ao comando de seu hipnotizador, voltou à outras vidas, mesmo sem, assim como Brian, acreditar em Reencarnação. Este fato tem uma enorme importância, devido a sua naturalidade inerente.

Ou seja, não houve nenhuma mudança no processo de regressão, que se mostrou eficaz anteriormente no objetivo de obter memórias há muito esquecidas. Apenas, pouquíssimas pessoas haviam tentado ultrapassar o limiar do nascimento, que diga-se de passagem, foi feito de forma acidental pelo Dr.Brian Weiss.

Dessa forma, a obtenção de lembranças de outras vidas por meio do processo de regressão de memória, nada mais é do que uma continuação linear do retrocesso no tempo mental no indivíduo, alcançando, assim, as lembranças de outras vidas de uma forma absolutamente natural e contínua. É como se só conhecêssemos os números Naturais da Matemática, ou seja, aqueles inteiros que se iniciam em 0 e vão até infinito e, por algum acidente, nos deparássemos com os números negativos que estão antes do 0.

  Assim, é lógico pensarmos em lembranças de vidas passadas obtidas por regressão de memória.  Cabendo assim o estudo na elucidação de todas as variáveis que por ventura venham a facilitar ou dificultar a obtenção dessas memórias.

Nos próximos posts desenvolveremos os outros temas, 

Um abraço.