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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Reflexão: Pesquisa do IPEA e a Violência Contra as Mulheres - fato ou não?

Inicio o post com a seguinte publicação retirada do Correio Brasiliense, para refletirmos a questão, que na realidade não visa apenas as mulheres, mas a todos, independente do sexo, ou quem em sã consciência gostaria de ser ou ter algum ente, amiga, conhecida estuprada ou vítima de violência? Ou ainda, quem se felicita com notícias de desconhecidas estupradas ou violentadas?

Eis a publicação.. “No sábado, organizadores da campanha foram até a Delegacia da Mulher e denunciaram usuários que postaram ameaças na página do evento em uma rede social. Um investigador, especializado em crimes cibernéticos, já trabalha para tentar identificar os agressores. A estimativa é de que mais de 100 pessoas possam ser responsabilizadas pelas ameaças. A jornalista Nana Queiroz, 28 anos, publicou na internet um texto com imagem de um dos agressores que segurava um cartaz com os dizeres "#eu já estuprei e estupro de novo". A Polícia Civil vai priorizar a identificação de quem postou ameaças diretas aos organizadores da campanha”.

Creio que a questão merece reflexão, incluindo debates na sociedade e nos lares, pois a base das percepções e valores morais se dá também e principalmente dentro do seio familiar.


A pesquisa apontou um fato gerado pela falta de educação presente em nosso país, um povo esclarecido compreende a moralidade, o respeito, as leis e a vida como um todo.


Incentivo os debates, faz parte da evolução inclusive, na minha humilde opinião, pois quando nos calamos de certo modo concordamos com atitudes como estas, não sou a favor de me calar diante da injustiça, seja ela qual for!

Há machismo ainda presente entre nós? Sim, sem dúvida e faz várias vítimas, não apenas de estupro, como em diversos patamares, eu mesma ao tentar fazer um B.O. em uma delegacia do interior de São Paulo não consegui, me solicitaram que procurasse a Delegacia das Mulheres, por se tratar de assunto de mulher! Como?! Não sabia que por ser mulher, independente do assunto a ser relatado no B.O. teria que fazê-lo na Delegacia das Mulheres.... por várias situações é que o debate deve acontecer!

Não sou a favor, diga-se de passagem de nenhum extremo, nem machismo, nem feminismo, deve imperar o equilíbrio e bom senso, sem o qual não poderemos, como conjunto evoluirmos de fato. E por que? Porque não vivemos isoladamente, porque é triste vermos nos noticiários seres humanos vitimados, porque é cruel colocar nas vítimas as acusações, porque é desumano e irracional afirmar que é se trata do descontrole masculino de seus instintos.O tema ao ser debatido, independente de estar ou não correta a pesquisa, é sim importante, pois traz à pauta a violência contra a mulher.

Apenas para refletirmos...homens conscientes não agem deste modo, conheço inúmeros, que respeitam e se respeitam.Não é estranho que daí surjam relacionamentos, casamentos e famílias igualmente infelizes, o modo de pensar ainda é retrógado, nosso vizinho, pois não é novidade alguma matérias jornalísticas abordarem a violência contra a mulher, portanto vale a reflexão.

Hoje surgiram críticas na imprensa sobre a forma como a pesquisa foi estruturada, por não corresponder em números a realidade, de acordo com o divulgado no portal R7:  "O instituto ouviu 3.810 pessoas em todo o Brasil, 66,5% dessas mulheres, 15 pontos percentuais a mais do que a proporção de mulheres na população geral, de acordo com o último censo, realizado em 2010 pelo IBGE — Essa amostra não pode ser usada para fazer inferências para a população brasileira porque ela não tem as características da população brasileira. Isso aconteceu com a pesquisa porque foram entrevistadas pessoas que estavam em suas casas em horário comercial.

O economista Marcos Fernandes, da FGV (Fundação Getulio Vargas), questiona também a formulação de boa parte das perguntas da pesquisa. Para ele, o levantamento do Ipea tem valor ao estudar a percepção da violência, mas não tem valor científico. Segundo ele, é um erro aferir a opinião das pessoas usando ditos populares como “a roupa suja deve ser lavada em casa”, afirmação com a qual 89% dos entrevistados concordaram e “em briga de marido e mulher não se mete a colher”, com 82% de aprovação entre os ouvidos pelo Ipea.
— Quando você pergunta se a pessoa concorda que em briga de marido e mulher não se mete a colher, não está sendo específico, é um dito popular. A pessoa dizer sim não significa que não denunciaria se o homem espanca a mulher. Existem problemas na formulação das perguntas que podem enviesar a resposta.
No caso da pergunta que motivou a campanha Não Mereço Ser estuprada, Fernandes afirma que não é possível afirmar que, de fato 63% dos entrevistados defendam que mulheres que usam roupas curtas devam ser estupradas. “O termo usado na pergunta, o “atacadas”, também gera margem para outras interpretações.”
Para Sachsida, quando as perguntas foram formuladas de maneira direta e sem ambiguidades, “o brasileiro mostrou que não é tolerante à violência contra a mulher”. Ele ressalta, por exemplo, que 91% dos entrevistados concordam que o homem que bate na esposa deve ir para a cadeia e 89% acreditam que o homem não pode xingar sua mulher. 

DADOS PUBLICADOS SOBRE A PESQUISA

Uma das imagens da Campanha no Facebook
A notícia se espalhou de forma rápida, feita pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), órgão do governo, mostra que 58,5% dos entrevistados concordam totalmente (35,3%) ou parcialmente (23,2%) com a frase "Se as mulheres soubessem como se comportar, haveria menos estupros". Segundo o levantamento, 37,9% discordam totalmente (30,3%) ou parcialmente (7,6%) da afirmação – 3,6% se dizem neutros em relação à questão.
O estudo também demonstra que 65,1% concordam inteiramente (42,7%) ou parcialmente (22,4%) com a frase "Mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas", enquanto 24% discordam totalmente, 8,4% discordam parcialmente e 2,5% se declaram neutros.

A pesquisa ouviu 3.810 pessoas entre maio e junho do ano passado em 212 cidades. Do total de entrevistados, 66,5% são mulheres. A assessoria do Ipea não informou qual o percentual de homens e de mulheres que opinaram especificamente em relação à questão do comportamento feminino (fonte g1).

Ainda de acordo com o publicado no portal G1 o órgão afirma que "por trás da afirmação [referente ao estupro], está a noção de que os homens não conseguem controlar seus apetites sexuais". Na avaliação do instituto, a violência "parece surgir" a partir dessa ideia.


De acordo com matéria publicada pelo Correio Brasiliense a campanha #eunãomerecoserestuprada, reação ao resultado da pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que mostrou o quanto o Brasil ainda é machista, já conta com a adesão de mais de 42 mil usuários na internet. Em uma rede social, a página do evento tem 251 mil pessoas debatendo o tema. Portais internacionais de notícia deram destaque, na manhã de domingo, ao protesto virtual.

Já na data de hoje temos postado pelo R7 : A professora Wânia Pasinato, do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo, acredita ser importante o estudo do Ipea, mas ressalta que a metodologia das próximas pesquisas deve ser revista - "O Ipea é um instituto renomado, mas não tem experiência em estudos desse tipo. Eu sugiro que se realize um bom seminário com especialistas da área de políticas públicas e gente que estuda as questões de gênero para discutir os resultados e contribuir para que o instituto possa ser um aliado na luta de enfrentamento da violência contra a mulher. Divulgando números com alarde e deixando um vazio depois, essa pesquisa não contribui".

Questionado sobre os eventuais problemas do estudo, o Ipea afirmou que o pesquisador responsável pela pesquisa é o único que tem informações sobre a metodologia utilizada, mas está hospitalizado no momento.
Em sua conta no Twittter, a presidente Dilma Rousseff estimou que "a sociedade brasileira ainda tem muitos progressos a fazer", e pediu que o governo e a população trabalhassem juntos contra a violência que atinge as mulheres. Com toda esta discussão em torno do problema não apenas de estupro,mas que já envolve a violência de forma geral contra a mulher, o assunto entra em pauta, embora , apesar de avanços contínuos no combate à violência contra a mulher, como a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06), ainda há muito a se fazer para mudar a cultura do machismo presente nos mais diversos segmentos da sociedade brasileira. 



                               Vídeo divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ)·