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terça-feira, 8 de abril de 2014

Entrevistamos : Richard Simonetti





Richard Simonetti nos atendeu prontamente para esta entrevista, assim como também atende a todos, ciente do papel que tem para a divulgação espírita, se desdobra em atividades, e desse contato de anos temos a grata oportunidade de apresentar aqui no blog e igualmente no site do Almateca uma parcela de seu trabalho.


Natural de Bauru, o expositor espírita tem percorrido todos os Estados brasileiros, em centenas de cidades, e também outros países, como Estados Unidos, França, Suíça, Itália e Portugal.


Articulou, em 1973, o movimento inicial de instalação dos Clubes do Livro Espírita, que prestam relevantes serviços de divulgação em centenas de cidades.

O CEAC - CENTRO ESPÍRITA AMOR E CARIDADE


Vice-presidente do CEAC (Centro Espírita Amor e Caridade) que destaca-se pelo largo trabalho que desenvolve no campo social, envolvendo Albergue, Centro de Triagem de Migrantes, Atendimento à população de rua, Creche, Assistência Familiar, Cursos Profissionalizantes… A instituição beneficia perto de vinte e cinco mil pessoas, anualmente.
Página na internet:http://www.ceac.org.br





ENTREVISTA COM RICHARD SIMONETTI


 Como se deu o primeiro contato do sr. Com o Espiritismo?
           Creio que foi no Mundo Espiritual, porquanto desde que me entendo por gente sinto, mais do que aprendo, o alcance dos princípios espíritas. Ajudou também o fato de ter nascido em lar espírita.


O sr. tem 56 livros publicados, alguns deles com versões em inglês, francês e italiano. Quando e como iniciou a escrever livros? 

            Em 1963 escrevi um artigo para a revista Reformador. O doutor Wantuil de Freitas, presidente da Federação Espírita Brasileira, responsável pela revista houve por bem dar-me uma colher de chá, publicando-o. Ele é o culpado por estar eu a azucrinar os leitores com convulsões literárias.

  O sr. escreve regularmente para periódicos espíritas de projeção nacional – Reformador, Revista Internacional de Espiritismo, Folha Espírita. Os artigos são pautados de suas observações em relação ao Espiritismo e também de suas próprias experiências?
           
            Você é médium? Adivinhou o que eu ia responder. Acrescentaria apenas que há sempre sugestões de amigos espirituais, nos domínios da inspiração.

Em seu livro “Reencarnação Tudo que você precisa saber” apresentando partes de ciência, filosofia e religião, assim como algumas indagações no tocante família, sexualidade, clonagem, Velho Testamento, hipnose, clonagem, inseminação artificial, terapia de vidas passadas, casamento, homossexualismo, aborto, suicídio, esquecimento do passado, etc. Como o sr. Avalia a reencarnação presente na Bíblia, pois há um debate antigo se há ou não na  Bíblia passagens sobre o tema?
            
           No Novo Testamento há passagens muito claras dando-nos conta de que a primitiva comunidade cristã aceitava a reencarnação.  Destaco isso no livro. Não há como furtar-se a ideia de que os discípulos estavam referindo-se à reencarnação quando perguntaram a Jesus sobre um cego de nascença, se fora ele ou os pais que haviam pecado para ele nascer assim.

Na obra “Rindo e refletindo com Chico” e “Rindo e Refletindo com Chico 2” o que é abordado?
            Como todo Espírito superior em trânsito pela Terra, Chico fazia observações muito sábias e, não raro, bem humoradas sobre as coisas da Vida. É como base nelas que desenvolvi os dois livros.

O Evangelho Segundo o Espiritismo e obras de Allan Kardec nos mostram a importância do autoconhecimento, o sr. Também escreveu livros que buscam levar ao autoconhecimento, poderia destacar quais são as principais obras, de sua autoria?
           
        
  Livros são como filhos amados, que dão muito trabalho, mas muita satisfação. Seria difícil destacar um deles. Não obstante, pelos benefícios que tem oferecido, do que me dão conta os leitores, destacaria Quem tem Medo da Morte?, pleno de esclarecimento e conforto para os que enfrentam a morte de um ente querido; Uma razão para viver, um livro de iniciação espírita, abordando temas que interessam às pessoas que procuram ajuda no serviço de atendimento fraterno, no Centro Espírita; Depressão, uma história de superação, um romance com informações sobre as causas de depressão e com orientações para que seja superada, à luz do Espiritismo.

A questão da culpa em casos de aborto, uso de drogas e outras situações graves acabam prejudicando ainda mais as pessoas que a carregam, quadros obsessivos podem ser iniciados através da culpa. Como o sr. Avalia a culpa, como não carrega-la como fardo?
            
       O sentimento de culpa é altamente benéfico, a partir da consciência de que fizemos algo de errado. O desafio está em superá-lo não com a fuga na inconsequência, nas drogas, mas com o sincero propósito de reparação. E não há melhor recurso para isso do que a prática do Bem. É algo matemático. Um valor menos um (o mal), pode ser eliminado com um valor mais um (o Bem). É mais ou menos isso que Simão Pedro quer dizer em sua epístola, quando proclama que o amor cobre a multidão dos pecados.
           

O trabalho de divulgação é fundamental, pois permite que as bases do Espiritismo sejam difundidas, o sr acredita que no Brasil e fora tem crescido a compreensão sobre o que de fato é o Espiritismo, vezes confundido com religiões outras ou que há a presença de rituais?
            
               O ato de adoração é um ato do coração, um assunto pessoal entre nós e o Criador, como propõe Jesus à mulher samaritana. Na medida em que tem melhorado o nível cultural do movimento espírita essa proposta tem sido bem compreendida, eliminando-se práticas exteriores que remetem às religiões tradicionais.

O tema morte é recorrente na doutrina, qual a opinião do sr. em relação à morte, a comunicação com desencarnados e até a utilização de comunicações em processos legais no Brasil?
            
       O contato com o mundo espiritual é básico, o aspecto sagrado do Espiritismo, com um inigualável manancial de consolo para os que vivenciam a morte de um ente querido. Quanto à influência de mensagens dos mortos no andamento de processos judiciais, fica por conta da fidelidade do médium e o arbítrio do juiz.



A Revista Super Interessante publicou matéria sobre o estimado Francisco Cândido Xavier, na qual mencionou por exemplo: “Ele dizia que não escolhia os espíritos a quem atenderia, só via fantasmas e ouvia vozes. Mas parecia ser o escolhido por celebridades do céu. Cruz e Souza, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Castro Alves lhe ditaram versos e prosa.”De acordo com material encontrado na internet verificamos que o sr respondeu a revista, afirmando entre outras coisas a relevância do trabalho de Chico e também teceu comentários sobre trechos da matéria, como esta:
“Uma pérola de ignorância jornalística está na referência sobre materialização de Espíritos: “seria necessário produzir um total de energia duas vezes maior do que é hoje produzido pela hidroelétrica de Itaipu por ano, segundo os cálculos feitos por especialistas exibidos por reportagens sobre Chico nos anos 70.” Seria superinteressante a repórter ler sobre as pesquisas de Alfred Russel Wallace, Oliver Joseph Lodge, Lord Rayleigh, William James, William Crookes, Ernesto Bozzano, Cesare Lombroso, Alexej Akzacof e muitos outros cientistas respeitáveis que estudaram o fenômeno da materialização e o admitiram. Leia, também, sobre quem eram esses cientistas, para constatar que não agiam levianamente como está na revista. “ fato que ocorreu também com a Revista Veja, onde ponderou sobre a obra de Chico Xavier, Nosso Lar.”
            Na sua opinião a imprensa de um modo geral ainda teima em elaborar matérias sem qualquer aprofundamento e seriedade no que tange ao Espiritismo ou personalidades do Espiritismo?
            
             Infelizmente, sim. E isso põe em dúvida tudo o mais que a imprensa pública. Se em revistas de destaque como Superinteressante e Veja encontramos distorções em torno do que conhecemos, que garantia temos de que não estejam distorcendo o que não conhecemos? Isso é muito grave, comprometendo a credibilidade jornalística.

O CEAC Centro Espírita Amor e Caridade desenvolve quais atividades de assistência? Como funciona?
            
                 O CEAC é uma das maiores organizações espíritas da atualidade. No campo doutrinário temos editora, livraria, biblioteca, jornal, radio e televisão web, cursos de espiritismo e mediunidade, seis sessões públicas semanais, oitenta e nove grupos mediúnicos. No campo filantrópico há a uma creche, albergue noturno, atendimento de população de rua, seis núcleos de assistência familiar com acompanhamento escolar e cursos profissionalizantes, grupos de assistência a hospitais, cursos de atendimento à gestante... Atendemos, no conjunto, perto de 25 mil pessoas anualmente.

O livro "O HOMEM DE BEM" , uma obra em Comemoração aos 150 anos do Evangelho Segundo o Espiritismo, é sua mais recente obra. De acordo com Kardec O verdadeiro homem de bem é o que cumpre a lei de justiça, de amor e de caridade, na sua maior pureza. Se ele interroga a consciência sobre seus próprios atos, a si mesmo perguntará se violou essa lei [...] se desprezou voluntariamente alguma ocasião de ser útil, se ninguém tem qualquer queixa dele; enfim, se fez a outrem tudo o que desejara lhe fizessem. O que o sr.pode nos comentar a cerca do livro?
            O livro tem dois objetivos: comemorar os 150 anos de lançamento de O Evangelho segundo o Espiritismo e tecer comentários em torno de um tópico de Kardec, no capítulo 17, onde ele fala das características que identificam um homem de bem. Meu livro é um desdobramento desse texto.



Na opinião do sr. Os centros espíritas devem manter as reuniões mediúnicas abertas ao público? Pergunto, pois a maioria realiza ainda envolvendo apenas as pessoas que trabalham nos centros e alguns convidados – estaria aí a oportunidade de levar ao conhecimento público como ocorrem as psicografias, psicofonias por exemplo?
                        
                               Em O Livro dos Médiuns, quando trata do método, Kardec enfatiza que em suas reuniões mediúnicas não permitia o ingresso de pessoas não familiarizadas com o processo mediúnico. E acentua: assim fazia consciente de que se essas pessoas comparecessem estariam perdendo seu tempo e nos fariam perder o nosso. Qualquer estudioso de mediunidade sabe da inconveniência de realizar sessões abertas. Ninguém está impedido de participar, desde que se prepare convenientemente. Temos um curso de dois anos no CEAC. No primeiro, estudo da Doutrina em seus temas básicos. No segundo, estudo da mediunidade. Ao final do segundo ano, os participantes passam a compor um grupo mediúnico.

Sabemos que trabalha com vários grupos mediúnicos e diversos médiuns, como é lidar com tantos grupos mediúnicos ?Há um sistema de trabalho específico para cada um deles junto aos mentores?
             Há um regulamento geral a ser observado por todos os grupos, que com o tempo definem um tipo de atividade, de acordo com a disponibilidade mediúnica: psicografia, atendimento a Espíritos sofredores,desobsessão, receituário... Periodicamente há uma reunião de todos os dirigentes para debater o andamento das reuniões.

De acordo com a sua experiência em reuniões mediúnicas, já se deparou com casos explícitos ou não de animismo? Como identificar quando ocorre uma grande influência do médium a ponto de anular a comunicação? Como reduzir a ocorrência de tais eventos? Que fatores mais influenciam na sua ocorrência?  
            O animismo faz parte do processo mediúnico. Um bom médium terá pelo menos vinte por cento de animismo, já que ele não é mero telefone. Capta o pensamento do Espírito e o transmite de conformidade com seus recursos linguísticos. Em princípio o animismo é grande. Com o desenvolvimento o médium irá se ajustando, aprendendo a transmitir com fidelidade o pensamento do espírito, com o mínimo de interferência. Se isso não correr competirá ao dirigente conversar com o médium, a ver se algum problema particular não está interferindo no processo, o que costuma acontecer.

Ocorreu alguma situação que o marcou bastante em alguma reunião mediúnica da qual participou e que serviu para sedimentar ainda mais em você a importância dos trabalhos de amparo a sofredores desencarnados?
            
          Há várias. Por exemplo, a ação de um Espírito que estava empenhado em provocar o aborto em uma senhora, sob alegação de que o reencarnante “passara na sua frente”. Ele deveria primeiro. Argumentei que o aborto pode deixar sequelas e que talvez sua futura mãe, que tivera dificuldade para engravidar, nunca mais concebesse. Fechando a porta ao seu irmão, ele estava fechando-a para si também. O Espírito, emocionado, compreendeu e afastou-se. A partir de então, não houve mais problema com a gestante e a criança nasceu tranquilamente, sem complicações. Foi gratificante.

Para finalizar, o senhor pode deixar uma mensagem aos leitores do blog Luzes e site Almateca?
            
O Espiritismo é a mensagem mais importante concedida por Deus na atualidade, explicando de forma racional e lógica os porquês da vida, oferecendo-nos a benção mais preciosa: a segurança de viver. 

É preciso, entretanto, considerar que conhecimento implica em responsabilidade. Seremos cobrados pelo bem não praticado, pelos sentimentos negativos não vencidos, pelos vícios não superados, pelo Evangelho negligenciado. Importante, portanto, que tenhamos cuidado, atentando à máxima de Kardec, que deve orientar nossa existência: Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral e pelo empenho que empregue no sentido de domar suas paixões.
Fotos: Algumas palestras proferidas