Avatar

segunda-feira, 22 de julho de 2013

O Roustainguismo, o Espiritismo e o Pacto Áureo


Afinal, o Roustainguismo e o Espiritismo são complementos ou apenas uma distorção do pentateuco kardecista? Desta questão surgiu o Pacto Áureo firmado pela FEB - para compreender a questão, vamos analisar o todo.


"Jean Baptiste Roustaing foi um advogado francês, nascido em Bordéus. Viveu na França, no tempo em que Allan Kardec estava preparando a Codificação. Chegou a trocar algumas correspondências com o Codificador, mas a amizade entre ambos não foi adiante.
Com a ajuda da médium Émile Collignon, Roustaing publicou ditados de alguns Espíritos que os assistiam, denominados mais tarde de "Os Quatro Evangelhos" ou "Revelação da Revelação". Essas obras se caracterizavam por apresentarem graves contradições doutrinárias em relação aos princípios do Espiritismo. 

Allan Kardec fez algumas críticas a esses escritos, que acabaram por desagradar profundamente o advogado. Roustaing e seus discípulos, aborrecidos, fizeram uma resposta ao Codificador, inserida no livro primeiro de sua obra, depois retirada arbitrariamente pela Federação Espírita Brasileira – FEB, adepta das teses roustainguistas.

Os Espíritos que ditaram "Os Quatro Evangelhos" disseram ser nada menos que os Evangelistas, assistidos pelos Apóstolos e pelo profeta Moisés. Além dessa superioridade suspeita, ainda afirmaram que a obra era a "Revelação da Revelação", algo mais especial e superior à própria Codificação. Tratava-se de um fato estranho. Por que o Alto enviaria uma outra revelação no mesmo tempo em que Allan Kardec dava vida ao Espiritismo, a Terceira Revelação? Ninguém explicava o fato.

As entidades desencarnadas que trabalhavam com Roustaing e Collignon , usavam de meios estranhos ao sistema espírita: eram totalmente alheios do Controle Universal dos Espíritos. Uma grande insensatez que os roustainguistas não se davam conta". (Fonte:consciesp.com.br)

Vejamos as considerações feitas por  José Herculano Pires, Professor emérito em Doutrina Espírita, em seu livro “O Roustainguismo à luz dos textos:
                “... há um aspecto do problema da reencarnação em Roustaing que merece tratamento especial. Como que tentando reajustar o sistema evolutivo de Kardec, admiravelmente harmonioso, coerente e portanto lógico, os ‘ministros de Deus’ estabelecem uma estranha ligação entre os mundos fluídicos e os mundos materiais. Conseguem isso através de um expediente ridículo, determinando o retrocesso evolutivo dos espíritos altamente evoluídos, que nunca precisariam de encarnar-se. Esses espíritos angélicos repetem no roustainguismo a façanha de Lúcifer, o anjo rebelado, mas de maneira deprimente, sem nenhum sinal de grandeza satânica da revolta bíblica.
               
 “Há três pontos que devemos considerar, no exame desse problema, com muita atenção: (1º) Roustaing é um decalque de Kardec, mas em sentido caricato. Sua doutrina é uma caricatura da Doutrina Espírita com todas as deformações intencionais destinadas a ridicularizar o Espiritismo; (2º) Roustaing  -  e com ele os ‘ministros de Deus’ – não foi capaz de compreender o problema da evolução do espírito em Kardec. O processo contínuo e seqüente da evolução foi quebrado pela teoria roustainguista, dando ocasião a um retrocesso que devolve a doutrina da reencarnação à metempsicose antiga; (3º) O restabelecimento da metempsicose, não sendo mais possível, diante da lúcida argumentação kardeciana a respeito e da natural evolução da cultura, os pseudo-teóricos da ‘revelação da revelação’ foram cair mais uma vez na armadilha do ilogismo, oferecendo-nos uma doutrina monstruosa da queda dos anjos, que só não apavora porque provoca riso...”

  “... Os espíritos, sempre matreiros, aproveitam-se disso (isto é, da “ absoluta incapacidade de Roustaing para compreender o que havia lido em Kardec sobre o desenvolvimento do princípio inteligente a partir dos reinos inferiores da Criação”), e do precário estado mental e psíquico do advogado convalescente (na verdade Roustaing acabara de sair de uma doença grave e longa, como ele mesmo informou no prefácio da obra “Os Quatro Evangelhos”), para  elaborarem a mais ridícula teoria da reencarnação...”

(OBS.: E aqui, Herculano Pires cita o trecho  em que Roustaing se refere aos tais criptógamos carnudos ou “larvas informes”, “massa quase inerte”, formada “de matérias moles e pouco agregadas que rasteja, ou antes, desliza, tendo os membros, por assim dizer, em estado latente”, como está no  primeiro volume de “Os Quatro Evangelhos”).

E prossegue Herculano Pires: “Essa é a ‘revelação da revelação’. Roustaing copia e desfigura Kardec, acrescentando aos seus ensinos os maiores absurdos...”

 E conclui o capítulo dizendo: “Temos assim a teoria da Metempsicose, tão  seguramente refutada pela lógica de Kardec, devolvida ao meio espírita pelo ilogismo roustainguista. Bastaria esse triste episódio, colhido no caldeirão diabólico dos absurdos de ‘Os Quatro Evangelhos’, para nos provar, sem a menor sombra de dúvida, que essa obra é de autoria das trevas e que a sua finalidade é confundir os espiritistas pouco habituados a passar as coisas pelo crivo da razão. Mais do que isso, porém, o objetivo evidente é o de ridicularizar o Espiritismo, para dele afastar as pessoas de bom senso”. (Fonte:ofrancopaladino)

 Em síntese, os que rejeitam a obra acham que ela conteria erros doutrinários por explicar que:
  • Os espíritos criados simples e ignorantes no mundo dos espíritos (mundo primordial), após se tornarem individualidades e providos de livre arbítrio, seguem evoluindo em conhecimento e moral no mundo dos espíritos, desde que não errem devido ao orgulho, ao egoísmo e ao ateísmo. Nessa hipótese, e só então, terão necessidade de encarnar (a primeira encarnação) e, persistindo ou ampliando os erros, estarão necessariamente sujeitos a reencarnações sucessivas. A evolução ocorre através das encarnações materiais (quando necessárias), ou em mundos espirituais, até não serem mais necessárias.
  • Nos mundos primitivos, os seres humanos encarnados possuem um envoltório material rudimentar (corpo), em comparação com o estágio atual do nosso, e, assim, os que estivessem nesse processo (os espíritos criaram o termo "criptógamo carnudo" para designá-los) passariam por toda a fieira material até atingirem as condições de encarnarem em planetas de expiação, já agora com corpos correspondentes ao planeta que estejam habitando. E, daí por diante, continuariam em depuração material e no esforço das conquistas morais, passando por um espectro de planetas cada vez menos materiais, para depois irem aos fluídicos, dando continuidade à ascensão, até não mais necessitarem de encarnações ou manifestações sequer em mundos fluídicos, atingindo enfim o estado de espíritos puros.
  • Jesus, por ser um espírito puro e de aparente constituição "material" inconcebível para nós, de estado evolutivo puro, incompatível com os estados vibracionais (energéticos) da matéria, que constituem os corpos dos planetas de expiações, não poderia estar sujeito às leis naturais que regem a formação de corpos humanos. Assim, para dar cumprimento à sua missão no planeta Terra, e, sendo impossível estar revestido de um corpo de matéria rudimentar como os nossos, deu curso à lei não menos natural de elaboração de um corpo perispirítico, para depois torná-lo denso e tangível, uma espécie de materialização que lhe deu todas as semelhanças e propriedades próprias dos corpos humanos que conhecemos.
Os críticos da obra (entre eles o próprio Codificador da doutrina espírita, Allan Kardec, na 4ª edição definitiva do livro A Gênese, ver capítulo 3, item 3 e capítulo 15, item 67) consideram que o seu conteúdo está em dissonância com os ensinamentos da doutrina espírita e contrargumentam que:
  • Os espíritos criados simples e ignorantes, no mundo dos espíritos (mundo primordial), após se tornarem individualidades e possuidores de livre arbítrio, mesmo que não tenham cometido nenhum erro, têm necessariamente de encarnar (mesmo numa primeira encarnação), para que possam evoluir num processo de aprendizado. A encarnação, segundo os espíritos superiores que respodenderam à questão de nº132 de ''''O Livro dos Espíritos'''', é imposta por Deus aos Espíritos com o propósito de fazê-los chegar à perfeiçao e assumir o papel que lhes cabe na obra da criação.
  • As explicações apresentadas na obra de Roustaing com relação à evolução dos seres humanos em mundos primitivos, antes de poderem habitar mundos de expiações, quando então foi utilizada a terminologia "criptógamo carnudo", significaria um processo e um ensinamento análogos à metempsicose.
  • Jesus não poderia ter um corpo de origem e natureza diferentes dos espíritos que reencarnam no planeta Terra, pois estaria contrariando leis naturais do processo encarnatório. Também o seu corpo não poderia ser de origem e de natureza diferentes da matéria terrena, pois estaria promovendo uma farsa, haja visto haver nos Evangelhos várias passagens que registram Jesus em rotinas e contratempos em que agiu e reagiu como quem possui um corpo igual ao de todos os terrestres, tais como os sofrimentos e agonias de sua paixão nos Jardins das Oliveiras. Haja visto ainda, ser Jesus o modelo e guia enviado por Deus aos homens, cuja razão recusa a ideia de um modelo que não seja compatível com sua natureza de provas e expiações.
As divergências de múltiplas naturezas, estabelecidas entre as entidades espíritas de todos os níveis e de todo o país, desde os primórdios do movimento espírita no Brasil, levaram a dissensões históricas. A mais importante foi a que opôs os chamados "místicos", sob a liderança de Bezerra de Menezes, e os "cientificistas", estes defensores de um espiritismo voltado para a experimentação científica.
Um acordo só teria lugar em 1945, com a assinatura do chamado Pacto Áureo promovido pela FEB.
Pacto Áureo:é a expressão mais lúcida de entendimento e concórdia entre  cultores da Doutrina dos Espíritos, que podem divergir em pequenos e secundários pontos doutrinários, mas que não têm razão para fazer da divergência pomo de discórdia, de intransigência, intolerância e incompreensão. Ele veio compatibilizar a vivência da Doutrina dentro do princípio da liberdade, sem exclusão do amor fraterno, tornando viável o que parecia inconciliável.

Fontes:febnet;ofrancopaladino;conciesp.com.br;wikipédia