"Trinta anos se passaram desde que publiquei as atas das experiências tendentes a demonstrar que fora dos nossos conhecimentos científicos existe uma força posta em atividade, por uma inteligência diferente da inteligência comum a todos os mortais. Nada tenho que retratar dessas experiências e mantenho minhas verificações já publicadas, podendo mesmo a elas acrescentar muita coisa." "O Espiritismo está cientificamente demonstrado." William Crookes
"Assim como um viajante que explora um país longínquo, cujas maravilhas não fossem até então conhecidas senão por notícias e contos de caráter vago e pouco exato, assim, desde quatro anos procedo assiduamente a pesquisas em uma região das ciências naturais que oferece ao homem de ciência um solo quase virgem. Do mesmo modo que o viajante percebe nos fenômenos naturais de que é testemunha a ação das forças governadas por leis naturais, onde outros não vêem senão a intervenção caprichosa de deuses ofendidos, assim me esforcei por esboçar a operação das leis e das forças da natureza onde outros não têm visto mais do que a ação de seres sobrenaturais sem dependência de qualquer lei e sem obediência a qualquer força senão a da sua livre vontade".
Dessa forma William Crookes inicia um artigo sobre suas pesquisas acerca dos fenômenos espirituais que estudou, publicado num órgão de divulgação científica muito famoso na Europa do Século XIX, o Quartely Journal of Science "RESEARCHES IN THE PHENOMENA OF SPIRITUALISM" . Mas quem foi mesmo William Crookes ? Deixemos que o Dr. Paul Gibier fale-nos um pouco dele:
e posteriormente publicando, de forma mais detalhada, no seu livro
"Aos vinte anos publicava interessantes memórias sobre a luz polarizada; depois, foi um dos primeiros na Inglaterra que estudaram, por meio do espectroscópio, as propriedades dos espectros solar e terrestre. Devem-se-lhe importantes trabalhos sobre a medida da intensidade da luz, e engenhosos instrumentos: o fotômetro de polarização e o microscópio espectral, por exemplo. Seus escritos sobre a química geral foram muito apreciados desde que apareceram. É autor de um tratado de análises químicas (Métodos escolhidos), hoje clássico. Devem-se-lhe numerosas investigações em Astronomia, especialmente sobre fotografia celeste. Em 1855-56, a Sociedade Real de Londres, que o admitiu no número de seus membros efetivos – em primeiro escrutínio –, concedeu-lhe a título de animação um prêmio pecuniário para prosseguir em seus trabalhos sobre a fotografia da Lua. O Governo da Rainha enviou-o ultimamente a Oran, para observar o eclipse. Acrescentemos ainda que se ocupa de Medicina e de Higiene, como provam seus trabalhos sobre a peste bovina, etc. Mas duas descobertas principalmente classificaram o Sr. Crookes entre os mestres da ciência moderna: o ilustre sábio já se tinha distinguido por um processo de amálgama com o auxílio do sódio, processo que é hoje empregado na Austrália, na Califórnia e na América do Sul, pela indústria metalúrgica do ouro, quando fez conhecer um novo corpo simples metálico: o Tálio. Aprecia-se o valor de semelhante descoberta quando se sabe que o número dos corpos simples conhecidos na série dos metais elevava-se a 50, mais ou menos. O Sr. Crookes foi conduzido a essa preciosa descoberta por seus trabalhos sobre a análise espectral. Foi também assim que foram isolados o cério, o rubídio e o índio. Lembremos, de passagem, que se denominam corpos simples os metalóides e metais que se encontram no limite da análise química e que nenhum processo conhecido os pode decompor em outros corpos. Conseguintemente, a designação de corpos simples dá antes a medida de nossos meios de investigação do que uma verda-deira definição da natureza real desses corpos. Não temos, com efeito, nenhuma idéia exata do que seja a MATÉRIA. Eis onde ainda está a ciência dos homens!
A segunda descoberta do Sr. Crookes vem corroborar o que avançamos: queremos falar da matéria radiante(o que hoje é chamado de Plasma). O Sr. Crookes, por meio de uma série de experiências de exatidão extrema, demonstrou esse estado entrevisto por Faraday. Não faremos o histórico dessas experiências tão importantes sob o ponto de vista filosófico da Química, da Física e do estudo da matéria em geral; em resumo, ressalta disso que a matéria, em sua essência, deve ser UMA e os corpos variados que caem sob nossos sentidos imperfeitos não passam de um agenciamento, de uma estrutura molecular especial da matéria, segundo a expressão do célebre químico Boutlerow, de São Petersburgo, que, digamo-lo incidentemente, confirmou o que pôde examinar das experiências do Sr. Crookes sobre a força psíquica. O Sr. Crookes repetiu as suas experiências sobre a matéria radiante em 1879 (setembro), no Congresso da British Association para o adiantamento das ciências, e em 1880, na Escola de Medicina de Paris e no Observatório, a convite do professor Wurtz e do Almirante Mouchez. Os efeitos produzidos pela matéria nesse estado são dos mais surpreendentes e de uma potência formidável. Foi um grande sucesso para o Sr. Crookes. As poucas linhas precedentes darão, pelo menos esperamo-lo, uma idéia do alto valor científico do homem que não temeu abor-dar o estudo dos fenômenos espíritas."