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sábado, 7 de fevereiro de 2015

História: espíritas ajudaram na libertação dos escravos no Brasil

Opúsculo publicado por Bezerra de Menezes, 1868
Bom dia amigos, postamos na íntegra matéria realizada por Daniel Simões do Valle, postada hoje no portal Uol sobre o papel dos espíritas na libertação dos escravos no Brasil.Nas bancas a edição com matérias:"Série Além da Vida".

A ideia da abolição tornou-se, ao longo da década de 1880, um guarda-chuva sob o qual se agasalharam-se diferentes tendências e matizes”, esclarece a historiadora Maria Helena Machado, em o plano e o pânico. Nesse rol, podemos incluir as propostas defendidas pelos espíritas. A preocupação dos adeptos da doutrina codificada por Allan Kardec com a escravidão já vinha de longa data.



Em julho de 1869, o primeiro periódico espírita brasileiro, publicado em Salvador, assumia o seguinte compromisso: O Écho d’Além-Tumulo deduzirá de cada assinatura realizada 1$000, cuja soma será anualmente publicada e destinada para dar liberdade a escravos, de qualquer cor, do sexo feminino, de 4 a 7 anos de idade, nascidos no Brasil”.

Para alguns espíritas, o compromisso com o fim da escravidão precedeu sua conversão à doutrina. Esse era o caso de importantes lideranças do espiritismo na corte, como Antônio da Silva Neto, Adolfo Bezerra de Menezes Cavalcanti, Francisco Leite de Bittencourt Sampaio e Francisco Raimundo Ewerton Quadros. Ainda na década de 1860, eles já se haviam manifestado contrários ao trabalho escravo.

Naquela época, a proposta mais recorrente era “emancipação”, que consistia em adotar medidas paulatinas que contribuíssem para substituir gradativamente a mão de obra escrava pelo trabalhador livre. O termo “abolição” era evitado nas discussões políticas, uma vez que a possibilidade de libertar todos os escravos de uma só vez era refutada até mesmo por alguns dos que condenavam o cativeiro. Temia-se que tal decisão pudesse redundar em drásticas consequências, tais como: a desorganização da produção agrícola, a crise econômica, o despreparo do escravo para a vida em liberdade e a desordem social. Por isso, havia o entendimento de que era necessário preparar o país para a mudança.

Libertar e educar os escravos

Movido por esse ideal e com intuito de propor soluções para o problema, o engenheiro Antônio da Silva Neto publicou três trabalhos: Estudos sobre a emancipação dos escravos no Brasil (1866), Segundos estudos sobre a emancipação dos escravos no Brasil (1867) e A Coroa e a emancipação do elemento servil (1869). Neles, defendia a libertação dos filhos das escravas, a adoção de medidas para educá-los e a extinção da escravidão no prazo de 20 anos.

Bezerra de Menezes, médico e político reconhecido na corte, tomou iniciativa semelhante e, em 1868, publicou o opúsculo A escravidão no Brasil e as medidas que convém tomar para extingui-la sem dano para a nação, no qual também defendia a libertação dos filhos de ventre escravo.

A proposta apresentada por ambos não era uma novidade, nem eles eram os únicos a defendê-la. Na verdade, ela estava presente nos jornais e nos folhetos que circulavam pelas ruas da corte. Além disso, tal medida encontrava-se em discussão no Parlamento, mas só seria aprovada em 1871, por meio da Lei do Ventre Livre.