1.Introdução
2.São, de fato, lembranças ?
3.Integração do fenômeno com outros
que demonstram a imortalidade da alma
4.Estudos relacionados
5.Conclusão
No post de hoje trataremos dos dois primeiros pontos. Colocamos abaixo uma sinopse do livro. Convidamos os amigos que não leram ainda o livro a fazê-lo e que todos nós possamos colocar nossas observações.
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Sinopse
O Dr. Brian Weiss é um médico e pesquisador moldado por anos de estudos nas práticas tradicionais da psiquiatria. Embora tivesse conhecimento de estudos sobre parapsicologia desenvolvidos em grandes universidades americanas, ele nunca lhes dedicara grande atenção ou os considerara seriamente.
Mas um dia ele conheceu Catherine.
Por mais de um ano ele empregou o método terapêutico convencional para ajudar sua jovem paciente a superar fobias e ataques de ansiedade. Não obtendo sucesso após dezoito meses, ele tentou a hipnose para levá-la a vivenciar traumas da primeira infância.
Ao instruí-la para voltar no tempo em que seus sintomas começaram, ela pôs-se a descrever, com detalhes impressionantes, experiências de vidas passadas que provaram ser a origem de seus problemas. Ainda em transe, Catherine revelou fatos da vida do Dr. Weiss absolutamente desconhecidos na comunidade onde viviam.
Ao mesmo tempo, Catherine passou a transmitir mensagens de espíritos altamente desenvolvidos os Mestres. Habitando o espaço entre vidas, estas entidades não possuem um corpo físico, mas têm um enorme conhecimento. Através de Catherine, os espíritos mostraram os caminhos para a sabedoria e revelaram muitos segredos sobre a vida e a morte.
Estas memoráveis sessões transformaram profundamente a mente e a alma tanto da paciente quanto do terapeuta. Em apenas alguns meses, os sintomas de Catherine desapareceram e ela passou a experimentar uma paz e alegria nunca antes sentidas.
O Dr. Weiss, que é hoje considerado o maior especialista em terapia de vidas passadas, ganhou uma nova e aguda consciência do mundo que está além dos nossos sentidos, tornando-se mais paciente e amoroso.
Esta fantástica jornada vivida por Catherine e pelo Dr. Weiss é uma experiência que eles continuam a partilhar com o mundo. Nas palavras do próprio autor: As respostas já estão dadas. Somos imortais. Vamos sempre estar juntos.
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Introdução
O presente artigo tem como objetivo realizar uma análise da
obra “Muitas Vidas, Muitos Mestres” do Dr. Brian Leslie Weiss.
Dr. Weiss
graduou-se na Universidade de Columbia, em Química, e posteriormente em
Medicina pela Universidade de Yale em 1970, estagiou no campo de medicina
interna, na New York University Medical Center, retornando posteriormente à
Yale para dois anos de especialização em Psiquiatria.
Após algumas décadas de carreira, Dr.
Weiss conduziu seus estudos à problemática de existência do ser após a morte, tendo
como tema de pesquisa a Reencarnação.
Em “Muitas Vidas, Muitos Mestres”,
ele relata os acontecimentos que o fizeram iniciar suas pesquisas sobre
reencarnação e vida após a morte. Conta a história de uma paciente sua que, sob
efeito da hipnose, começa a externar
lembranças de outras vidas.
Catherine – pseudônimo dado a
paciente para preservar a confidencialidade – o procurou para tratar uma série
de problemas psíquicos como ansiedade e fobias diversos.
No início do livro, o autor traça o
perfil da paciente:
“Era a filha do meio, educada numa família católica conservadora de uma
cidadezinha de Massachusetts, EUA. O irmão, três anos mais velho, era muito
forte e gozava de uma liberdade que nunca lhe permitiram. A irmã mais nova era
a preferida dos pais.”
“Sua religião era simples e sem questionamentos. Fora educada para
acreditar na ideologia e nas práticas tradicionais católicas e jamais duvidara
da veracidade e validade de sua fé. Acreditava que, sendo boa católica e
vivendo corretamente na obediência da fé e dos rituais, ganharia o Céu; caso
contrário, iria para o Purgatório ou para o Inferno. O Deus patriarcal e seu
Filho decidiriam isso. Depois, fiquei sabendo que Catherine não acreditava em
reencarnação; na verdade, sabia muito pouco a respeito, embora tivesse lido
alguma coisa sobre os hindus. Reencarnação era uma ideia contrária aos
conceitos em que fora criada e nos quais acreditava. Jamais lera nem tinha
interesse por qualquer literatura metafísica ou ocultista. Estava tranquila na
sua crença.”
Dito isso, damos início agora à
analise do conteúdo do livro.
São de Fato Lembranças ?
Como poderíamos deduzir que o que Catherine externava,
durante o transe hipnótico, eram, de
fato, lembranças ?
O processo de regressão
é eficaz em recuperar lembranças ?
Cabe a nós, antes de mais nada, na análise de casos de lembranças de vidas
passadas alcançadas por meio de regressão de memória, verificar se o processo
de regressão de memória é eficaz na sua proposta de recuperar lembranças de
eventos ocorridos na vida de um indivíduo. Vamos responder a pergunta proposta
acima com base nos próprios fatos
expostos no livro.
Antes de Brian Weiss induzir
Catherine ao estado hipnótico e efetuar a regressão de memória, ele tentou, em conversas
com ela, fazer com que se lembrasse de alguns fatos da sua vida desde a
infância. O que ela o fez com dificuldade. Tal procedimento é prática comum realizada
pelos médicos e psicólogos a fim de diagnosticar uma doença ou problemas
psíquicos, chama-se Anamnese.
Entre os fatos lembrados por ela, há
a ocorrência de um empurrão, de um trampolim, que sofreu aos 5 anos de idade,
onde despencou em uma piscina. Tal lembrança ocorreu em estado normal de
consciência, em uma conversa simples com o médico.
Antes de continuarmos, cabe aqui lembrarmos que o processo de
regressão hipnótica de memória vai induzindo o indivíduo a voltar cada vez mais
no tempo, mentalmente, e assim ele vai
tendo percepção de lembranças que até mesmo já havia esquecido. O próprio
indivíduo expõe os fatos vivenciados por ele, o terapeuta apenas o guia ao
longo das idas e vindas no tempo mental do indivíduo, na tentativa de investigar
as raízes dos seus traumas, fobias e ansiedades que o impedem de levar uma vida
psicologicamente saudável. Essa sempre foi a única intenção do Dr. Brian Weiss
desde o início ao trabalhar com Catherine o seus problemas.
Ao ser induzida ao estado hipnótico e
ir voltando gradualmente no tempo, em transe, Catherine fez referência ao mesmo
evento do empurrão anteriormente descrito. Porém, dessa vez, a lembrança foi
muito mais intensa, ela reviveu a experiência internamente e com muito mais
detalhes do que o exposto em sua conversa com o médico, o que foi descrito pelo
Dr. Brian:
“Ao falar sobre isso, no meu consultório, ela começou a sentir falta de
ar. Falei que a experiência já havia passado e que ela se encontrava fora
d’água. A falta de ar parou e ela voltou a respirar normalmente”.
Tais reações se repetem inúmeras
vezes ao longo das várias lembranças expostas no livro, sejam de eventos da
atual existência de Catherine ou de eventos que nos sugerem fortemente ser
oriundos de vidas passadas.
Esse conteúdo mental obtido por meio
do processo de regressão hipnótica, alude a lembrança do evento vivido por
Catherine anteriormente - O empurrão do trampolim - exatamente na idade de 5
anos(ponto na regressão onde ocorreu o evento supracitado) como havia revelado
em conversa prévia com o médico, a única diferença foi que Catherine lembrou do
evento de forma muito mais profunda, praticamente revivendo o evento ali, no
consultório do médico.
Este exemplo, entre muitos outros,
nos mostra que o procedimento de regressão de memória (a restrita apenas ao
escopo da vida atual do paciente) é capaz de fazer com que, de fato, ele
relembre eventos que ocorreram anteriormente em sua vida e, como visto aqui de
forma resumida e melhor exposto no livro em análise, de forma muito mais
intensa. Durante o processo, várias outras lembranças da atual vida, facilmente
verificáveis e comezinhas, emergiram da mente de Catherine. Além disso, o processo
foi usado, com sucesso, no tratamento de traumas e outros problemas de centenas
de outros pacientes do médico. O que nos faz concluir que o processo de
regressão de memória de fato faz com que, sob efeito de hipnose, certas pessoas
possam lembrar-se de fatos ocorridos anteriormente em suas vidas.
Portanto, podemos perceber que o
processo de regressão é eficaz ao induzir um indivíduo a retirar suas
lembranças, mesmo as mais remotas, dos escaninhos da mente.
É lógico pensarmos em lembranças de vidas passadas obtidas por regressão
de memória ?
Para que possamos responder a essa pergunta, é necessário uma análise da forma como o fato se deu.
Após constatar que ao regredir
Catherine à idade de 3 anos ela não melhorara de seus sintomas, Brian disse:
“Fiquei surpreso. Não entendia o que estava errado. Teria acontecido
alguma coisa antes dos 3 anos ?...Resolvi levá-la a regredir ainda mais.”
“Lentamente, fui levando Catherine até a idade de 2 anos, mas ela não se
lembrou de nada importante. Disse-lhe em tom firme e claro: - Volte para a época
em que surgiram seus sintomas”
Neste exato momento, Catherine começa
a relatar suas lembranças de outras vidas. O fato foi extremamente chocante
para o Dr. Brian Weiss:
“Eu estava totalmente despreparado para o que ocorreu em seguida”
“Estava perplexo ! Vidas anteriores ? Reencarnação ? Meu conhecimento clínico
me diz que ela não estava fantasiando aquilo tudo, que ela não inventara. Seus
pensamentos, expressões, a atenção a determinados detalhes, tudo era diferente
do seu estado consciente. Toda a gama de possíveis diagnósticos psiquiátricos
me veio à mente, mas seu quadro psiquiátrico e sua estrutura de caráter não
explicavam essas revelações. Esquizofrenia ? Não, ela jamais demonstrou
qualquer distúrbio cognitivo ou de pensamento. Nunca tivera alucinações
auditivas ou visuais, não ouvia vozes nem tinha visões quando estava acordada
ou quaisquer outros tipos de estados psicóticos. Não delirava nem se desligava
da realidade. Não tinha personalidade dupla ou múltipla. Havia apenas uma
Catherine e, conscientemente, ela sabia disso. Não apresentava tendências sociopatas
ou antissociais. Não era atriz. Não fazia uso de drogas nem ingeria substâncias
alucinógenas. O uso de álcool era mínimo. Não tinha doenças neurológicas ou
psicológicas que explicassem essa experiência tão intensa e imediata quando
hipnotizada...Não podia explicar, mas também não podia negar a realidade.”
Quem conhece o mínimo de hipnose sabe
que o procedimento nada mais é que levar um indivíduo a um estado no qual ele
fica suscetível à forte sugestão emitida pelo hipnotizador, de tal modo que o sujeito
obedece com facilidade aos comandos do seu hipnotizador.
Ora, foi precisamente o que Brian fez
com Catherine, quando, não encontrando os reais motivos dos seus traumas em
suas lembranças até 3 anos de idade, emitiu o comando que desencadeou as
lembranças de outras existências:
“Volte para a época em que surgiram seus sintomas”
Note que ele em nada especificou sobre
voltar a uma vida anterior, nem o faria, já que, como exibido acima, não
acreditava em tal possibilidade. Disse apenas e tão somente que voltasse à
época em que surgiram seus sintomas. Catherine simplesmente obedeceu ao comando
de seu hipnotizador, voltou à outras vidas, mesmo sem, assim como Brian,
acreditar em Reencarnação. Este fato tem uma enorme importância, devido
a sua naturalidade inerente.
Ou seja, não houve nenhuma mudança
no processo de regressão, que se mostrou eficaz anteriormente no objetivo de
obter memórias há muito esquecidas. Apenas, pouquíssimas pessoas haviam
tentado ultrapassar o limiar do nascimento, que diga-se de passagem, foi feito
de forma acidental pelo Dr.Brian Weiss.
Dessa forma, a obtenção de lembranças
de outras vidas por meio do processo de regressão de memória, nada mais é do
que uma continuação linear do retrocesso no tempo mental no indivíduo,
alcançando, assim, as lembranças de outras vidas de uma forma absolutamente
natural e contínua. É como se só conhecêssemos os números Naturais da
Matemática, ou seja, aqueles inteiros que se iniciam em 0 e vão até infinito e,
por algum acidente, nos deparássemos com os números negativos que estão antes
do 0.
Assim,
é lógico pensarmos em lembranças de vidas passadas obtidas por regressão de
memória. Cabendo assim o estudo na
elucidação de todas as variáveis que por ventura venham a facilitar ou
dificultar a obtenção dessas memórias.
Nos próximos posts desenvolveremos os outros temas,
Um abraço.
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